Comperj
13/10/2008

O Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), em fase de terraplenagem, pode ser o primeiro grande projeto da Petrobrás a sentir os efeitos da crise global. Segundo fontes próximas ao empreendimento, a estatal poderá ter dificuldades em conseguir parceiros capitalizados para dividir os US$ 8,4 bilhões projetados. O diretor financeiro da Petrobras, Almir Barbassa, afirmou que a Petrobras passa ao largo dos impactos negativos com a alta do dólar, que chegou a ser negociado a R$ 2,45. Segundo ele, "é muito difícil avaliar o movimento do câmbio, apenas pela tela do dia, que está movida por especulações. Antes da crise internacional, a Petrobrás se preparava para rever para cima o investimento, por causa da elevação dos custos de equipamentos. Além disso, um dos executivos que acompanham o projeto diz que o modelo original do Comperj previa um aumento expressivo do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, em torno de 5% e uma demanda interna superaquecida, situação que, comenta, nem de longe vai se concretizar. O planejamento estratégico da Petrobrás - que já estava em processo de revisão antes do agravamento da crise, e agora não tem data prevista para ser concluído - projetava, para o período 2008-2010, uma alta do PIB anual de 4,3% no mundo. Para a América Latina a previsão era de crescimento de 3,9% e, para o Brasil, de 4%. Também contava com uma taxa média de câmbio de R$ 2,18. Elaborado com o objetivo de refinar o petróleo pesado do campo de Marlim, na Bacia de Campos, hoje exportado por falta de capacidade de refino no Brasil, o projeto tem início de operações marcado para 2012, em fase de testes. Empresários e analistas do setor petroquímico descartam a possibilidade de o projeto seguir o cronograma original. Eles alegam, principalmente, a dificuldade de captação de recursos para a obra. Na última quarta-feira (8), o Barbassa, descartou mudanças nos investimentos da companhia, incluindo o Comperj, por causa da insegurança financeira atual."Isso está fora de cogitação”.


(Fonte: O Estado de S. Paulo)