O brilhante futuro da cana
22/09/2008

Até os anos 60, muitos plásticos eram feitos da cana, mas com a expansão da exploração do petróleo, a queda do preço e a expansão do setor petroquímico, a alcoolquímica deixou de ser competitiva e perdeu espaço. Hoje, diversas empresas, inclusive as petroquímicas, estão interessadas nos bioplásticos, feitos de fontes renováveis. Em uma unidade piloto no Rio Grande do Sul, a Braskem está produzindo polietileno de etanol. É exatamente o mesmo polietileno feito da nafta petroquímica, usado em potes de iogurte, tanques de combustível e sacolas plásticas. Um dos primeiros clientes já anunciados é a fabricante de brinquedos Estrela. Em média, os bioplásticos são 30% mais caros que os plásticos convencionais. Apesar do preço alto, estima-se que eles possam representar 10% do total do mercado brasileiro em 2012. De olho nesse potencial, a belgo-argentina Solvay Indupa assinou um contrato com a cooperativa de produtores de álcool e açúcar Copersucar para o fornecimento do etanol que será usado na fabricação de PVC. Na mesma linha de parcerias, a gigante do setor Dow Chemical buscou a Crystalsev para montar o primeiro pólo alcoolquímico integrado do mundo na região do Triângulo Mineiro, com investimentos estimados em 1,5 bilhão de reais. A produção de cana estará lado a lado com a fábrica de plásticos. O pólo deve começar a operar no ano que vem produzindo etanol e, a partir de 2011, fabricando 350 000 toneladas de polietileno. O novo ciclo da cana traz uma nova realidade para as usinas: a de se tornarem biorrefinarias. É difícil, porém, haver uma reprodução do que ocorre no setor petroquímico, pelo menos no curto prazo. A demanda por produtos que tenham menor impacto no aquecimento global e a necessidade de diminuir a dependência do petróleo fazem com que todos voltem os olhos para alternativas como o açúcar.

(Fonte: Revista Exame - edição 24/09).