Indústria petroquímica está de olho no gás natural do pré-sal
18/09/2008

A indústria petroquímica pode ser beneficiada pelos gigantescos volumes de gás natural, que poderão ser retirados de áreas na camada pré-sal da bacia de Santos, de acordo com avaliação de Carlos Alberto Lopes, sócio-diretor da Gas Energy, consultoria especializada na área de gás e petroquímica, presente em toda a América Latina. Lopes observa que o aproveitamento da parte líquida do gás, onde se encontram matérias-primas para a indústria petroquímica - etano, propano e butano - não compromete a venda do gás para usos energéticos e agregaria mais valor ao produto. Ele destaca que o etano "é a jóia da coroa para a petroquímica". O consultor diz que não existe, com isso, nenhuma postura, "contra a exportação do GNL, mas a indústria química oferece oportunidades de agregação de valor e, não vamos ficar dependentes da exportação de produtos primários". Lopes disse ainda, na Rio Oil & Gas, onde o debate sobre o pré-sal tem sido o tema dominante, que "há muita expectativa do que será gerado de matéria-prima petroquímica no pré-sal e o que vai poder se retirar". Atualmente, a principal matéria-prima petroquímica é a nafta, cujo preço oscila com o petróleo e cuja demanda tem sido apertada em relação à oferta. Na segunda-feira, Armando Guedes, ex-presidente da Petrobras e conselheiro do IBP, polemizou com o diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, ao defender uma utilização mais nobre para o gás da bacia de Santos, que segundo a Gas Energy, poderá significar produção de 100 a 120 milhões de m3/dia, contra os 60 milhões atuais. De acordo com Lopes, para separar a parte líquida do gás, seriam necessários investimentos maiores, do que se apenas fossem extrair o gás e levá-lo à costa. "Tecnicamente existem soluções, se são soluções rentáveis e suportam investimentos é necessário um estudo mais profundo, mas que tem que ser feito", avaliou Lopes. O consultor informou que atualmente apenas no Catar, se tem notícia de uma planta que separe os produtos líquidos do gás natural, em pleno mar. Ainda segundo Lopes, no projeto de Camisea, no Peru, desenvolvido pela argentina Pluspetrol, a parte térmica do gás, está sendo vendida para uma térmica no México e será feito um leilão, para saber com quem fica a parte líquida, que pode ser vendida para a indústria petroquímica. "É um investimento a mais, porque você tem que extrair do gás, as matérias-primas petroquímicas", explicou.


(Fonte: Reuters)