Nafta sobe e compromete setor petroquímico
14/07/2008

O efeito da alta dos preços do petróleo, que subiram 51,15% (para o WTI) este ano, sobre os preços da nafta uma das principais matérias primas da petroquímica, foi desastroso para as ações das indústrias do setor. As empresas não conseguiram alinhar seus reajustes na mesma velocidade dos preços da nafta, que no ano subiram 33% em dólares e cerca de 20% em reais. A elevação reduziu os resultados das empresas diminuindo a atratividade de suas ações no curto prazo, o que poderá continuar no médio prazo. No longo prazo, porém, o setor se beneficia, na opinião de especialistas. “O custo será repassado aos preços e a partir daí haverá aumento dos lucros”, avalia Harold Thau, sócio da Técnica Assessoria do Mercado de Capitais. Com exceção da Comgás, as companhias perderam rentabilidade patrimonial no primeiro trimestre de 2008 em relação ao mesmo período de 2007. Para os investidores que gostam de ações de empresas boas pagadoras de dividendos, o setor petroquímico também está pouco atraente, quando se avalia o dividend yield (equivalente a uma taxa de juros calculada pelo montante de dividendos que as empresas pagam aos seus acionistas). Pela lei das Sociedades Anônimas, as empresas são obrigadas a distribuir no mínimo 25% de seu lucro para os acionistas. Segundo o estudo da Economatica, o maior dividend yield dos últimos dos 12 meses, foi o de 7,6% da Comgás. Isso significa que se o investidor aplicou R$ 100,00 num determinado papel, ganhou R$ 7,60. No mesmo período, a remuneração ficou bem inferior a de outras aplicações, como o CDI que pagou 11,26% e o CDB, 11,17% % sobre o valor investido. O dividendo projetado para os próximos doze meses não muda muito esse cenário. O maior é de 7%, da Pronor, isso se as empresas mantiverem para o período o mesmo valor que pagaram em dividendos nos últimos 12 meses, conforme a Economatica. A Braskem , que pagou nos últimos 12 meses um dividend yield de 3,6% e projeta pagar 5,1% nas próximos 12 meses, conforme a Economatica, pode ganhar atratividade com a aprovação pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) da reestruturação dos pólos petroquímicos do Sul e Sudeste. Com a reestruturação - a empresa que perdeu 1% de sua rentabilidade patrimonial no primeiro trimestre - consolida o controle sobre essa central petroquímica.

(Fonte: Gazeta Mercantil)