Novo presidente quer recuperar valor de mercado da Braskem
07/07/2008

Bernardo Gradin, novo presidente da Braskem, maior produtora de resinas plásticas da América Latina, assumiu dia 3 de julho com a missão de recuperar o valor de mercado da companhia. Sob o comando de José Carlos Grubisich, que continua no Grupo Odebrecht, mas agora à frente da ETH (companhia sucroalcooleira da organização), a Braskem operou um complexo e polêmico plano de consolidação, que culminou com o recente ingresso da Petrobras no bloco de controle. A principal ação de emissão da empresa alcançou também os melhores patamares entre 2004 e 2005, atingindo entre R$ 29 e R$ 30 a ação PNA. Mas, desde então, o valor de mercado da companhia despencou. Hoje, a ação oscila entre R$ 11 e R$ 13, e a empresa enfrenta a rápida deterioração do balanço ante à escalada sem controle do preço internacional do petróleo. A Braskem é uma empresa de pouca visibilidade na visão do cidadão comum, mas está no rol das chamadas indústrias de base. Faz resinas plásticas necessárias para a produção de uma infinidade de produtos de consumo, de copos plásticos a painéis de automóveis, entre outros artigos. O problema é que a Braskem depende de um derivado de petróleo: a nafta petroquímica. Uma gasolina de luxo que, ante à alta do petróleo, sobe sem parar a cada dia. No Brasil, a nafta ­produzida nas refinarias da Petrobras­ é cara e escassa. O ambiente tem agravado a situação das petroquímicas, não só da Braskem mas também de outras, como a Quattor, outra do setor que enfrenta o mesmo problema. Mas Quattor e Braskem têm mais do que a alta do petróleo como ponto em comum. Ambas têm a Petrobras com sócia. A volta da estatal ao setor petroquímico não viabilizou apenas a concentração da atividade na mão de dois grupos privados, criou também as condições para ambas se safarem dos efeitos implacáveis da alta do petróleo. A nova direção da Braskem negocia condições especiais de compra de nafta da Petrobras. Hoje, US$ 7 bilhões em receitas de venda da Petrobras saem do caixa da Braskem. A expectativa de Gradin é que essa negociação se encerre até dezembro, quando o novo contrato de compra de nafta não se baseará mais no mercado internacional (como acontece hoje), mas em uma fórmula que blindará as companhias dos efeitos do choque do petróleo. A Braskem diz que não tem dúvidas de que a Petrobras fará mais essa concessão ao setor.



(Fonte: Folha de S. Paulo)