Dependência de capital brasileiro e de outros emergentes é risco para EUA
23/06/2008

Há muitos anos os Estados Unidos dependem da bondade de estranhos para financiar suas importações. Mas hoje em dia é provável que esses estranhos estejam na China, Brasil, México ou em algum outro país emergente. Os EUA têm que importar quase US$ 2 bilhões líquidos em capital por dia para cobrir seu déficit comercial. Dos US$ 920 bilhões que estrangeiros investiram em ações, títulos e papéis do governo americano no ano passado, US$ 361 bilhões - impressionantes 39% do total - vieram de países emergentes, segundo cálculos do Bank of America com base em dados do Departamento do Tesouro americano. Só a China foi responsável por 21 pontos porcentuais desse total, com o Brasil em seguida, com 8,4 pontos porcentuais, Rússia com 2,8 e México, Cingapura, Malásia, Coréia do Sul e outros também no grupo. E provavelmente isso é só a ponta do iceberg. Capital de países do Golfo Pérsico ricos em petróleo geralmente flui através de Londres rumo a Nova York, então bilhões de dólares em fluxo de investimento, que nos relatórios do governo parecem ter origem britânica, na verdade são árabes. A situação é conseqüência, em parte, da dependência americana de eletrônicos chineses, petróleo russo e eletrodomésticos mexicanos. Quanto mais os americanos gastam, mais esses países acumulam dólares. Mas o que também vem acontecendo é que os países emergentes estão comprando dólares e buscando onde aplicá-los. "É uma anomalia histórica o fato de que nos últimos cinco ou seis meses ainda mais recursos tenham fluído dos países pobres para os ricos do que dos ricos para os pobres", diz Barry Eichengreen, economista da Universidade de Berkeley, na Califórnia.


(Fonte: Valor Econômico)