Braskem quer vender créditos
19/06/2008

O presidente da Braskem, José Carlos Grubisich, disse ontem que a empresa já tem projetos que poderiam resultar em geração de créditos de carbono. Sem dar detalhes, o executivo destacou que a empresa já fez um mapeamento das ações que atenderiam tais requisitos. Os créditos de carbono são gerados a partir da redução da emissão de gases causadores do efeito estufa e podem ser obtidos em iniciativas como a substituição de óleo combustível por gás natural. Essa é uma das ações colocadas em prática pela Braskem na Bahia. A companhia, segundo o executivo, tem demanda de 1,5 milhão de metros cúbicos diários de gás natural, mas recebe em média apenas um terço desse volume. Esse excedente poderá ser obtido nos próximos anos, a partir do aumento da oferta de gás naquele Estado. Outra prioridade da Braskem é garantir maior sustentabilidade a suas linhas de produção. De acordo com Grubisich, a companhia reduziu em 7% o consumo de água entre 2002 e 2007. Já a emissão de efluentes líquidos teve retração de 42%, enquanto a produção de resíduos sólidos caiu 45% em igual comparação. “Esses números representam redução no consumo de matérias-primas e de custos para o tratamento desses resíduos.” O executivo destacou que os dados de consumo de água devem manter trajetória de queda nos próximos anos. “No caso do nosso projeto de polietileno verde, por exemplo, a produção de eteno a partir de etanol passa por um processo de desidratação, que irá gerar água possível de ser reutilizada nas outras fábricas da empresa.” Grubisich reiterou que o projeto de polietileno feito a partir da cana-de-açúcar é hoje mais competitivo do que o produto feito a partir do petróleo, cuja cotação tem oscilado acima de US$ 130 o barril. Além disso, a nova tecnologia é vista como um importante aliado comercial da Braskem. A fábrica de polietileno verde será instalada em Triunfo (RS) e entrará em operação em 2010. Antes disso, a Braskem poderá anunciar planos para a construção de uma nova unidade, já que a demanda pelo produto supera 600 mil toneladas anuais.

(Fonte: O Estado de S. Paulo)