Combate à inflação ajudará negociação para baratear nafta
19/06/2008

O temor do governo federal com a volta da inflação poderá ser um importante aliado das petroquímicas nacionais na negociação com a Petrobras. Desde o início deste ano, as companhias, lideradas pela Braskem, aumentaram o coro contra a política de preços da estatal, única fornecedora doméstica da nafta petroquímica. O preço da nafta, que corresponde a aproximadamente 80% dos custos do setor, apresentou alta de aproximadamente 7% nos cinco primeiros meses de 2008, de acordo com dados da consultoria MaxiQuim.
No mesmo período, as petroquímicas mantiveram praticamente estáveis os preços das resinas adotados no mercado interno, o que levou a uma redução nas margens das empresas. Este cenário promete ser alterado já a partir deste mês, quando as petroquímicas começaram a apresentar no mercado seus novos preços. A expectativa da Braskem, líder do mercado nacional, é promover um reajuste de até 20% em julho. Para tentar frear a alta nos preços e evitar novos reajustes no preço da resina, o governo federal poderia determinar que a Petrobras revisse sua política de preços, como pedem as petroquímicas. A indústria alimentícia, apontada como principal responsável pelas altas nos preços no mercado mundial, é a maior consumidora de produtos plásticos, segundo a Associação Brasileira da Indústria do Plástico.
Em seguida aparecem a construção civil, o setor de embalagens e o mercado agrícola. Ao contrário da gasolina ou do diesel, o preço da nafta é reajustado mensalmente. As petroquímicas também destacam que a consolidação do setor, que se reorganizou entre 2007 e 2008, deveria garantir um prêmio às companhias caso estas comprassem nafta no exterior. A mais recente etapa deste movimento de reorganização foi concluída na semana passada, com a criação da Quattor, que reúne os ativos de Suzano Petroquímica, Petroquímica União (PQU), Polietilenos União, Rio Polímeros (Riopol) e a divisão química da Unipar.

(Fonte: DCI)