Vale a pena mudar e inovar dentro da própria empresa. Um caso interessante da 3M
12/06/2008

Ir para o emprego disposto a ser demitido. Essa é a principal dica dos especialistas para quem quer ser um intra-empreendedor – aquele funcionário que propõe inovações e melhorias à empresa em que trabalha, por mais ousadas que sejam. Por isso mesmo, é bom estar preparado: este profissional nem sempre é compreendido no ambiente de trabalho. O intra-empreendedor, ao contrário do empreendedor, não começa um negócio próprio. E nem precisa. “Não é necessário deixar a empresa onde trabalha, como faria o empreendedor, para vivenciar as emoções, riscos e gratificações de uma idéia transformada em realidade”, afirma o engenheiro de produção Luiz Ricardo Uriarte em sua dissertação de mestrado sobre o tema. Sugerir e implantar inovações gera dificuldades desde o princípio. “É provável que o chefe dê dez razões para não o fazer”, diz o coordenador acadêmico do MBA de Gestão e Desenvolvimento de Negócios do Instituto Superior de Administração e Economia da Fundação Getúlio Vargas (Isae/FGV), Antônio André Neto. Antes de apresentar as idéias ao chefe, ele aconselha mostrá-las para outros funcionários que podem contribuir com o projeto. Assim, o intra-empreendedor angaria o apoio necessário para colocar a idéia em prática.
O vendedor norte-americano Dick Drew é, até hoje, considerado um dos grandes exemplos do conceito. A especialidade da empresa em que ele trabalhava, no fim dos anos 20, era vender lixas. Um dia, em uma visita comercial, percebeu que os funcionários de uma montadora estavam com problemas para pintar os carros com duas cores, o que era moda na época. Eles cobriam a parte que não deveria receber tinta com jornal e cola caseira. Drew e alguns colegas começaram a desenvolver na empresa de lixas um produto que solucionaria o problema. O chefe, a princípio, desaprovou a idéia e proibiu que eles desperdiçassem tempo naquela “bobagem”. Drew não desistiu e seguiu seus experimentos aos domingos. Assim surgiu, em 1930, a fita adesiva, produto que revolucionou o mercado e transformou a 3M – a empresa de lixas em questão – em uma multinacional de sucesso.

(Fonte: Gazeta do Povo)