Custos de matérias-primas preocupa fabricantes locais
27/05/2008

Mesmo com expectativa de aumento continuado da produção para atender a uma demanda interna em firme expansão, a indústria de resinas termoplásticas brasileira deve viver os próximos dois a três anos em regime de aperto das margens de remuneração, pressionada por dois fatores: a escalada do preço do petróleo e o excesso de oferta global. A avaliação é do presidente da Nova Petroquímica, Antonio Mattos.

Nova Petroquímica é o nome fantasia da antiga Suzano Petroquímica, comprada no ano passado pela Petrobras e que está em fase de transição para se integrar aos ativos da Companhia Petroquímica do Sudeste (CPS), empresa que será 60% do grupo Unipar e 40% da Petrobras. "Nossa expectativa é de ampliar os volumes (de produção), mas não temos dúvidas de que passaremos por um ciclo, que pode durar de dois a três anos, de enorme compressão das margens", disse Mattos em entrevista ao Valor.

O otimismo do executivo em relação ao crescimento do mercado é justificável. No primeiro trimestre deste ano, a demanda por polipropileno (PP), produto da Nova Petroquímica, subiu 5% e as vendas da própria empresa aumentaram 9,5% em volume. Embora impedido pela legislação das empresas abertas de divulgar números posteriores a março, ele disse que em abril foi mantido um ritmo forte.

Ele admitiu também que as importações seguem crescentes. Há dois anos, segundo disse, as compras externas de polipropileno estavam na faixa de 5 mil toneladas por mês. Agora elas já chegaram a 15 mil, um aumento de 200% em dois anos. Como as importações de produtos acabados da cadeia dos termoplásticos também são crescentes, o executivo sugere uma ação coordenada da cadeia produtiva e do governo para enfrentar a concorrência, especialmente combatendo práticas desleais de comércio e buscando dar ao produtor brasileiro condições de mercado iguais às dos concorrentes.

É em meio a todo esse cenário que estão maturando os investimentos feitos nos últimos anos pela antiga Suzano em capacidade produtiva e logística. Ainda este mês a empresa dá partida na fábrica de Duque de Caxias (RJ) com a capacidade de produção ampliada, de 200 mil para 300 mil toneladas/ano. Também está pronto para operar um terminal privativo na baía de Guanabara, com capacidade para receber 220 mil toneladas de matéria-prima (propeno). As duas obras custaram R$ 149 milhões, sendo R$ 110 milhões gastos na ampliação da fábrica de PP. O terminal portuário, que custou R$ 39 milhões, vai reduzir custos com descontaminação do produto que hoje é descarregado em terminal multi-uso da Transpetro.

Em setembro, a Nova Petroquímica, provavelmente já incorporada à CPS, coloca em produção a nova capacidade da fábrica de PP localizada em Mauá (SP). Passará de 360 mil toneladas hoje a 450 mil toneladas por ano. Com isso, somado às 125 mil toneladas/ano da fábrica de Camaçari (BA), a empresa atinge 875 mil toneladas, equivalente a 47% do total do país.

Mattos disse não temer ociosidade, apesar dos fatores desfavoráveis. No primeiro trimestre deste ano a empresa operou a uma média de 82% de uso da capacidade instalada, já incluída na conta uma paralisação programada de 30 dias da planta de Camaçari. O projeto da Nova Petroquímica é ampliar o uso da capacidade do seu parque fabril para entre 90% e 95% que é, segundo Mattos, a média dos países mais avançados. Para alcançar o objetivo ela está investindo em qualificação de pessoal e aumentando a eficiência da manutenção para extrair o máximo do maquinário. O trabalho está sendo feito com a assistência da consultora internacional A. T. Kearney.

(Fonte: Valor Econômico)