Construção civil aumenta a demanda por cloro e derivados
14/04/2008

A demanda por cloro e derivados, que terminam majoritariamente na forma de tubos de PVC ou espumas, cresceu 4% em 2007 levando-se em conta as principais misturas do cloro - como o dicloroeteno, uma pré-resina de PVC - e a resina já pronta. O consumo aparente de cloro e soda subiu de 3.190 milhões de toneladas para 3.329 milhões de toneladas, de acordo com dados da Associação Brasileira da Indústria de Álcalis, Cloro e Derivados (Abiclor).

O aquecimento do mercado interno é singular, ocorre no Brasil na contramão da tendência internacional, em que o desaquecimento da indústria da construção civil nos Estados Unidos provoca forte queda na demanda pelo PVC ou resinas de poliuretano (espumas). Mesmo a China foi atingida pelo desaquecimento nos EUA,"já que é grande exportadora destes produtos para os países da América do Norte", disse Luiz Pimentel, presidente da Abiclor.

Exportações

O Brasil reduziu exportações. Ao todo, em 2007 exportou 87 mil toneladas de cloro na forma de dicloroetano (estágio anterior à resina de PVC). Uma queda de 18,5% em relação a 2006. Juntando-se a exportação de dicloroetano mais resinas de PVC houve uma queda de 6,% nas exportações, para 148 mil toneladas no ano passado. E ainda houve um incremento de 22% na importação deste composto e de PVC no ano passado, segundo levantamento feito pelo presidente da Abiclor. "Hoje exportamos principalmente para China e Coréia. Seguiremos reduzindo exportações para, no médio prazo, pensar nos investimentos em expansão", disse Pimentel.

O cloro é feito a partir da eletrólise do sal. Dele saem cloro e também soda cáustica. Esta indústria tem sempre um desafio de tentar equilibrar a venda dos dois produtos," já que para produzir mais de um deles é preciso encontrar mercado para o outro também", informou o presidente da Abiclor.

Demanda por soda

Segundo o executivo, a demanda por soda está crescendo no mundo. No Brasil a soda é usada no branqueamento da celulose, que é uma indústria em franca expansão. A soda também é usada na produção de alumina, produto anterior ao alumínio.

"Houve também o fechamento de uma fábrica da Dow (Chemical) na Costa Oeste canadense, o que reduziu a oferta e mesmo as importações de soda da China não foram suficientes, e houve necessidade daquelas localidades trazerem também soda do Golfo do México."

Isso fez com que os preços da soda disparassem no mercado internacional. Enquanto uma tonelada de soda custava US$ 400 no terceiro trimestre de 2007, hoje o preço já encosta em US$ 490.O setor não pensa em expansões agora, enquanto há possibilidade de redirecionar exportações para dentro do País. Mas o maior temor desta indústria, usuária de energia em alta escala juntamente com a indústria de metais, é a garantia de energia no futuro.

"Já temos de recorrer à energia termoele´trica. É preciso novos investimentos em hidroelétricas", disse. A continuidade de produção e também a recuperação de margens de lucro, que começam a ocorrer agora com os primeiros sinais de aquecimento vindo do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), dependem de fornecimento seguro de energia, salienta o executivo.

A produção brasileira de cloro subiu 0,5% em 2007 para 1.229 milhão de toneladas em 2007 . Já a importação subiu 34,9% para 5,3 mil toneladas. No caso da soda caústica a produção foi 0,8% maior, com 1,335 milhão de toneladas. A importação também foi maior em 2007, crescimento de 18,3%, para 801,6 mil toneladas , de acordo com a Abiclor.

(Fonte: Gazeta Mercantil)