R$ 7 milhões para treinar operários
10/04/2008

Cerca de R$ 7 milhões serão investidos em nove meses no treinamento de trabalhadores da construção civil no Estado de São Paulo para atenuar os efeitos da escassez de mão-de-obra qualificada que já afeta o setor.

O anúncio foi feito ontem pelo presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e do conselho do Sesi e Senai, Paulo Skaf, durante a abertura da Feira Internacional da Indústria da Construção (Feicon) em São Paulo. O evento, que vai até sábado e reúne neste ano 680 expositores, ocorre na melhor fase do setor dos últimos anos.

As duas entidades fizeram um estudo sobre a evolução do emprego na construção civil e detectaram que, entre 2003 e dezembro de 2007, o número de postos de trabalho no setor cresceu 50%. Para desobstruir os prováveis gargalos de falta de mão-de-obra qualificada, os recursos serão aplicados em cursos na formação de pedreiros, eletricistas, carpinteiros, entre outras ocupações do setor, de junho deste ano a fevereiro de 2009. Trata-se da maior cifra já gasta pela entidade em qualificação de mão-de-obra nos últimos cinco anos.

GARGALO

"O nosso gargalo hoje é a mão-de-obra", afirmou o presidente da Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção, Claudio Conz, que projeta para este ano crescimento de 10% nas vendas de materiais de construção em relação a 2007. Ele destacou que uma das tendências das indústrias participantes da Feicon é a produção de materiais de construção e ferramentas que ampliem a eficiência na produção de novos imóveis.

A Bosch, por exemplo, que fabrica ferramentas elétricas, registrou nos últimos 12 meses crescimento superior a 60% nas vendas de ferramentas e acessórios para construção civil. De olho no mercado das construtoras e profissionais autônomos que querem ganhos de eficiência no serviço, a empresa aumentou a linha de martelos rompedores usados na demolição. "Com esse equipamento, a demolição acaba sendo 20 vezes mais rápida do que o trabalho executado com o uso do martelo convencional e da talhadeira", disse o vice-presidente de Ferramentas Elétricas para América Latina, Leon Kaiser. Ele frisou que a produtividade é fundamental, especialmente neste momento em que o setor passa por um boom de vendas.

A Lukscolor, fabricante de tintas, confirma a tendência da indústria de materiais e das construtoras de apostarem em ganhos de produtividade para erguerem mais rapidamente os edifícios. "As vendas de esmalte à base de água cresceram no último ano com uma velocidade duas vezes maior que a registrada pelo produto tradicional", disse a diretora Maria Cristina Potomati Fiuza. O motivo da maior procura apontado pela empresária é a rapidez na secagem. Enquanto a secagem de uma demão demora entre 6 e 8 horas no esmalte tradicional, no produto à base de água oscila entre 2 e 4 horas.

A Henkel é outra que decidiu apostar na eficiência. A empresa acaba de relançar uma cola para adicionar ao cimento que reduz em 30% o tempo de secagem. Também nessa direção, a companhia colocou no mercado um adesivo que permite assentar pias ou bancadas rapidamente, com uma redução de 25% nos custos de instalação.

Impulsionada pela conjuntura favorável, a Sika, multinacional suíça, começou a vender no mercado interno manta de PVC para impermeabilização de edifícios. Segundo o consultor de Negócios, Romeu Martinelli, esse novo produto amplia em quase três vezes a eficiência do trabalho de impermeabilização em relação à manta asfáltica tradicional.

(Fonte: O Estado de S. Paulo)