Petrobras e Ale Sat se unem para comprar a Esso por US$1 bilhão
07/04/2008

Depois de consolidar seu retorno à petroquímica – com uma cesta de aquisições e parcerias que envolveu as principais empresas do setor, como Braskem, Ipiranga, Ultra, Unipar e Suzano –, a Petrobras voltou a investir pesado no segmento de distribuição de combustíveis. A estatal está na reta final para a compra dos postos da Esso no Brasil e no Chile, aproveitando a decisão da empresa americana de se desfazer dos ativos latino-americanos. O negócio, avaliado em cerca de US$1 bilhão, está sendo tocado em parceria com a distribuidora Ale Sat. Resultado da fusão da mineira Ale com a Sat, que atua no Nordeste, a parceira da Petrobras deve ficar com algo em torno de 40% dos ativos da Esso e a estatal, com a maior parte do negócio.

A proposta já foi entregue, segundo fontes da Petrobras, e o fechamento do negócio depende agora integralmente da Esso. A Petrobras é líder do ranking da distribuição no país, desde 1971, por meio de sua subsidiária BR Distribuidora, que hoje detém 34,3% do mercado. Para fugir de eventuais questionamentos sobre concentração de mercado, optará por uma engenharia de divisão de ativos semelhante à que foi usada na compra da Ipiranga. De acordo com uma fonte que acompanha as negociações, a Petrobras ficará não apenas com os postos da Esso no Chile, como também com uma fatia dos ativos brasileiros. Na divisão nacional, o corte será feito de maneira regional, de forma a evitar que em cada região a BR exceda o limite concorrencial de participação no mercado.

A parceria com a Ale Sat é estratégica principalmente para driblar um possível posicionamento contrário do Conselho Administrativo de Defesa da Concorrência (Cade). No caso da Ipiranga, a estatal optou por dividir com a Braskem o segmento petroquímico e, na parte da distribuição, ficou apenas com a rede de postos do Norte, Nordeste e Centro- Oeste do país, onde a Ipiranga tinha presença mais marginal. No Sudeste e Sul, onde a empresa estava na vice-liderança da distribuição, os postos ficaram com o Ultra, que ainda não modificou o nome comercial da empresa.

Hoje, a Esso ocupa uma fatia de 4,8% no mercado de distribuição de combustíveis no país. De acordo com o market share de postos de revenda da Agência Nacional do Petróleo (ANP), a Esso hoje possui 5,6% de participação no Sudeste e 5,2% no Sul. Nas demais regiões, essa participação fica abaixo dos 2%. Por estes mesmos dados, com a aquisição, a Petrobras ocuparia o primeiro lugar no market share da revenda, com 22% na região Sudeste e segundo lugar na região Sul, com 21,3%, seguida muito de perto pela Ipiranga, hoje nas mãos do Ultra.

(Fonte: Agência Estado)