Anvisa aprova uso de PET reciclado em novas garrafas
20/03/2008

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou na última terça-feira (18) o uso do PET reciclado para a fabricação de novas embalagens de bebidas e alimentos. A resolução foi aprovada depois de uma discussão iniciada em 2002 e de um processo de consulta pública que durou seis meses. Em dezembro, quando a medida teve seu primeiro aval, no âmbito do Mercosul, foi definido que cada país teria até 10 de maio para posicionar-se a respeito. A decisão da Anvisa veio antes do esperado pelo mercado e carrega uma polêmica - pelo menos nos bastidores.

A questão polariza as duas gigantes do setor. Entusiasta do assunto, a Coca-Cola, que vende embalagem reciclada em 17 países, chegou a dizer que tinha planos de construir uma fábrica de reciclagem própria no Brasil onde processaria 25 mil toneladas de PET. O posicionamento atual da companhia, porém, é de que não há nada definido sobre a planta e que estuda ainda outras possibilidades, como a aquisição das embalagens de um terceiro.

A AmBev, que no ano passado chegou a declarar que o PET reciclado não era seguro, porque boa parte do material usado vem de lixões, afirma agora não ter uma posição sobre o assunto, porque ainda pretende analisar o conteúdo final da resolução. Para poder receber o selo PET-PCR (sigla de pós-consumo reciclado), a fabricante terá que comprovar uma série de procedimentos durante toda a cadeia. O produto também poderá ser importado, desde que cumpra as mesmas exigências. Até a aprovação pela Anvisa, o PET reciclado só podia ser usado para outros fins, como a produção de fibra de poliéster para indústria têxtil e na fabricação de cordas, cerdas de vassouras e escovas. Países como Áustria, Estados Unidos e Alemanha aprovam há anos a reutilização do PET para bebidas e alimentos.