Sucateamento ameaça a indústria paulistana
10/03/2008

A indústria paulista passa por um processo de mudança que abrange duas vertentes. Existe um movimento de saída de empresas da região metropolitana de São Paulo para outros estados, atraídas por incentivos fiscais, e uma migração para municípios interioranos com mercado crescente, alto poder aquisitivo e custos operacionais menores. Segundo José Ricardo Roriz Coelho, diretor do departamento de Competitividade e Tecnologia da Fiesp, este fenômeno se acelerou nos últimos dez anos. A conseqüência disso é que haverá perda de muitas empresas para outros estados e cidades do interior. Na capital de São Paulo e sua área de influência ficam somente as empresas mais antigas com risco de sucateamento. "Com o tempo, essas indústrias serão fechadas e cidades como as do ABC, muito dependentes da indústria automobilística, perderão oportunidades de emprego", comenta Roriz Coelho.

As empresas saem de São Paulo em busca de condições e benefícios oficiais. "Os outros estados são bastante generosos em conceder benefícios fiscais, o que não ocorre com São Paulo." Uma parcela considerável de companhias seguiu em direção aos pólos de alta tecnologia como os de São José dos Campos e São Carlos e para as cidades que atravessam uma onda de prosperidade em função do crescimento da produção agrícola, enriquecida pelos altos preços das commodities. Segundo Roriz Coelho, a estrutura de comunicação e o mercado financeiro paulistanos permitem que a direção e os departamentos de tecnologia e inteligência das empresas permaneçam na capital. A indústria da saúde se concentrou na região metropolitana de São Paulo, que detém uma estrutura bem desenvolvida. As universidades e áreas de pesquisa foram mantidas. O problema, na avaliação do diretor da Fiesp, é que "as novas unidades, modernas e competitivas, vão para fora de São Paulo e as velhas ficam aqui em um processo de sucateamento da indústria". (Fonte: Gazeta Mercantil)