Três das 4 centrais vão parar neste ano
18/02/2008

A indústria petroquímica terá um ano atípico em 2008, com a realização de paradas programadas para manutenção de três das quatro centrais produtoras de petroquímicos básicos existentes no País. Somadas, as paralisações da Copesul (RS), Braskem (BA) e PQU (SP) irão reduzir em 180 mil toneladas a produção interna de eteno neste ano.

Para analistas consultados pelo Jornal do Commercio, as paradas deverão impactar no faturamento das empresas, conseqüência da redução do volume de vendas. Eles disseram ainda que a diminuição da oferta dos petroquímicos básicos poderá, ainda, abrir espaço para reajustes de preços no setor, embora não deva provocar desabastecimento do mercado.

As três centrais petroquímicas compõem, junto a Rio Polímeros (Riopol), a indústria de primeira geração do setor. As unidades utilizam a nafta de refinarias ou o gás natural e os transformam em produtos petroquímicos básicos, como o eteno e o propeno. Esses dois produtos são utilizados pelas indústrias de segunda geração na fabricação de resinas, borrachas, detergentes etc.

A primeira parada ocorrerá em 31 de março, quando a Copesul irá interromper a produção de um de seus dois crackers na planta localizada em Triunfo, no Rio Grande do Sul. A paralisação permitirá a realização da manutenção, limpeza e testes na unidade, processo que irá durar 30 dias. Nesse período, ela deixará de produzir 60 mil toneladas de eteno.

A parada da Copesul está sendo planejada desde o final do segundo semestre do ano passado. De lá para cá, a empresa orientou seus clientes - empresas de segunda geração que, normalmente, instalam fábricas ao redor da central petroquímica - a formar estoque de eteno e do próprio produto que comercializam, de forma a não interromper as vendas no período.

"Temos capacidade limitada de estocagem e, por isso, orientamos os clientes a estocar o produto por conta própria. Também vamos reduzir as nossas exportações, de forma a aumentar a oferta ao mercado interno", afirma Paulo Moretti, gerente comercial da Copesul, acrescentando que a empresa espera, dessa forma, que a cadeia petroquímica permanece abastecida.

ABASTECIMENTO. Gilberto Pereira de Souza, analista do Banco Espírito Santo (BES), confirma que as centrais tendem a acelerar a produção três meses antes da parada, o que impede o desabastecimento do mercado. Ele lembra ainda que as paradas provocam um custo adicional elevado às petroquímicas, e isso não apenas pelo que elas deixam de vender no período.

Segundo a Copesul, por exemplo, a conta da parada será salgada: US$ 40 milhões. O valor não considera os US$ 17 milhões que serão investidos na atualização tecnológica do sistema de controle. Outros US$ 51 milhões serão aplicados em atualização tecnológica de meio ambiente e segurança operacional, aumento da confiabilidade e da capacidade de produção.

Os investimentos em ampliação elevarão a produção de eteno e de propeno em 35 mil e 16 mil toneladas anuais, respectivamente. Na última parada para manutenção, ocorrida em 2001, a inspeção da Copesul envolveu 46 torres de destilação, 233 sistemas de vasos, 246 trocadores de calor, 444 válvulas de segurança e 96 testes hidrostáticos e pneumáticos.

Já a Petroquímica União (PQU) irá entrar em manutenção no final de agosto e retomar a operação em outubro. De acordo com Rubens Approbato Machado Jr, diretor-superintendente da PQU, normalmente a parada duraria 30 dias, mas a empresa decidiu aproveitar a paralisação para ampliar a capacidade de produção da unidade, localizada em Santo André (SP).

Segundo ele, o projeto aumentará a capacidade produtiva de petroquímicos em 420 mil toneladas por ano, sendo que a capacidade produtiva de etileno irá de 500 mil toneladas para 700 mil toneladas por ano. O processo deverá ser auxiliado pela Riopol, central petroquímica que deverá integrar a Companhia Petroquímica do Sudeste (CPS)

AMPLIAÇÃO. "O ano de 2008 será um marco para a empresa que, após seis anos de campanha ininterrupta, realizará a parada de manutenção e interligação do projeto de ampliação", disse Approbato, lembrando que o projeto inclui a construção de um duto de 105 quilômetros ligando a Refinaria do Vale do Paraíba (Revap) à unidade da PQU, em Santo André (SP).

A Braskem, por sua vez, realizará a parada programada da planta 1 de sua Unidade de Insumos Básicos de Camaçari em maio deste ano. A empresa, que também é controladora da Copesul, não apresentou detalhes sobre a parada. Neste ano, a empresa pretende investir US$ 350 milhões para construir uma fábrica de polipropileno em Camaçari.

Marcos Paulo Pereira, analista da Fator Corretora, lembra que a menor oferta neste ano deverá levar o setor a reajustar preços, promovendo o que chamou de "balanceamento" do mercado. "Em alguns momentos, isso pode até permitir um aumento das importações, mas, em geral, o custo de internalizar a importação ainda será maior que compra no mercado interno", disse. (Fonte: Jornal do Commercio Brasil)