Falta de insumo eleva déficit do setor químico a US$ 13 bi
18/02/2008

Com a indisponibilidade de matérias-primas no País, o crescimento de 5% no consumo de produtos químicos, previsto para este ano, será atendido pelas importações. Com isso, o déficit do setor deverá alcançar US$ 13 bilhões este ano, segundo levantamento da Abiquim (Associação Brasileira da Indústria Química). O estudo aponta de que a situação deve melhorar a partir de 2012, com as novas ofertas de petróleo leve - rico em nafta, principal matéria-prima do setor petroquímico - e o projeto do Comperj (Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro), que processará óleo pesado, abundante no País, para a fabricação de insumos.

De acordo com Nelson Pereira dos Reis, vice-presidente da Abiquim, há uma forte preocupação do setor com a disponibilidade de matérias-primas nos próximos anos. Segundo ele, o período de 2008 a 2012 é crítico em termos de suprimento de matérias-primas. "Nota-se um suprimento bem apertado, o não crescimento da oferta de matérias-primas poderá inibir novos investimentos da indústria química e aumento das importações Até 2012 a indústria química vai trabalhar com restrições de matérias-primas", previu Pereira.

Pereira afirma, que o governo deveria criar incentivos para alavancar a produção de intermediários para fertilizantes - estes produtos respondem por cerca de 25% das importações brasileiras de produtos químicos - no ano passado, o segmento de adubos e fertilizantes faturou cerca de US$ 9 bilhões. "O governo deveria se preocupar com a dependência de fertilizantes do País com o mercado externo, até porque, o agronegócio é uma área estratégica para o País", ressaltou o executivo.

Dos US$ 19 bilhões de importação de produtos químicos no ano passado, os fertilizantes e seus intermediários participaram com quase US$ 5 bilhões. "A indisponibilidade de gás natural no País compromete a produção de amônia e uréia, matérias-primas para produção de adubos [um dos métodos de fabricação desses produtos é a partir do gás natural], mas temos reservas naturais de fósforo, que poderiam aumentar a produção interna", destacou Pereira.

Pereira afirmou, ainda, que a política tributária e o real valorizado são fatores que intensificam as importações. "É preciso uma reforma tributária, o produto importado entra no País sem carga alguma, isso mata a competitividade da indústria local. Além disso, o câmbio favorece os clientes do setor a procurarem produtos no mercado externo", concluiu o executivo.

Em alta

Para Pereira, da Abiquim, o setor deve se adequar e buscar a competitividade diante dos altos preços de nafta. No acumulado de janeiro de 2007 a janeiro de 2008, o preço da commodity aumentou 65% (em dólar), tendo seu valor médio em torno de US$ 820 neste mês. "A indústria petroquímica tem que conviver com esta realidade de preços de nafta. Com esses aumentos, a competitividade da segunda geração [produtores de resinas plásticas] fica comprometida, notamos que muitos transformadores plásticos estão importando resinas", afirmou Pereira.

Além da alta dos preços da nafta no mercado global, a oferta brasileira de nafta não será suficiente para atender totalmente à demanda petroquímica para os próximos três anos.

Segundo dados da Abiquim, as importações de nafta continuarão crescendo, atingindo o patamar de 4,6 milhões de toneladas em 2010 - atualmente, o Brasil consome cerca de 10 milhões de toneladas de nafta por ano, sendo que, 3,5 milhões de toneladas são importadas.

A Petrobras, única fabricante de nafta no País, calcula um preço fixo mensal para o derivado de petróleo considerando indicadores da variação cambial, o preço do produto no mercado internacional e também um prêmio cobrado pela companhia pelo transporte do produto. (Fonte: DCI)