Nafta tem leve queda, mas pessimismo do setor continua
07/02/2008

O preço da nafta recuou US$ 20 para fevereiro (preço base), depois de um longo período de alta que levou a cotação, no ano passado, de US$ 553 por tonelada para US$ 840. A queda foi comemorada pela cadeia petroquímica, que tem no produto seu principal insumo, mas os participantes do setor estão pessimistas quanto ao futuro.

A decisão da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) de não aumentar a oferta de petróleo para o primeiro trimestre mantém a perspectiva de alta para o preço do óleo, mesmo com a desaceleração da economia americana - o valor da tonelada da nafta, principal matéria-prima do setor petroquímico, é de 8 a 10 vezes o preço do barril de petróleo.

De acordo com Sinclair Fittipaldi, gerente de Marketing na Nova Petroquímica - antiga Suzano e que foi adquirida pela Petrobras no ano passado - a cadeia petroquímica deverá continuar pressionada pelo preço da nafta. Segundo ele, o primeiro semestre é um período de estocagem de petróleo e, com isso, a demanda e o preço da commodity continuam aquecidos.

"Não visualizo uma queda acentuada nos preços da nafta e do petróleo. Neste primeiro semestre, todas as economias vão passar por uma fase de formação de estoque de petróleo. Além disso, estamos tendo movimentos inflacionários no mercado global: em janeiro a Europa registrou uma inflação de 3,2%, um recorde em 11 anos", previu Fittipaldi.

Solange Stumpf, analista da Maxiquim (consultoria especializada no setor petroquímico), concorda com o executivo. Para ela, o ligeiro recuo no preço da nafta de janeiro para fevereiro está ligado à desvalorização do preço do barril de petróleo, de US$ 100 no início do ano para cerca de US$ 90 em fevereiro. "A nafta vai se manter com preços bem firmes", ressaltou Solange.

Japão já tem alta

Fittipaldi também afirmou que a crise dos Estados Unidos ainda não influenciou o preço do petróleo. O executivo citou o preço da tonelada da nafta praticado no Japão que subiu US$ 5 na semana passada e alcançou US$ 850.

O preço da tonelada da nafta comercializada no mercado interno está em torno de US$ 820 neste mês, contra US$ 840 em janeiro. No acumulado de janeiro de 2007 a janeiro deste ano, o preço da commodity aumentou 65% (em dólar); no começo do ano passado a tonelada da nafta valia US$ 553.

Atualmente o País consome cerca de 10 milhões de toneladas de nafta por ano e importa, por meio da Petrobras, cerca de 3,5 milhões de toneladas desta matéria-prima.

A estatal, única fabricante e importadora nacional do insumo, calcula um preço fixo mensal para o derivado de petróleo considerando indicadores da variação cambial, preço da nafta no mercado internacional e também um prêmio cobrado pela companhia pelo transporte do produto, que, somado, ultrapassa o valor praticado no mercado externo.

Impacto em embalagens

Os produtores de embalagens plásticas flexíveis registraram neste início de ano uma queda de 20% nos pedidos para o primeiro trimestre, quando comparado com igual período de 2007. Além do aumento, em torno de US$ 100, no preço da tonelada das resinas plásticas (matéria-prima do setor), os transformadores enfrentam a concorrência de fabricantes de Equador, Peru, Chile, Argentina, Uruguai e China.

De acordo com Synésio Batista da Costa, presidente da Associação dos Fabricantes de Embalagens Flexíveis (Abraflex), o preço das resinas praticado no Brasil são 30% mais caros do que em outros mercados - o preço das resinas no País custam cerca de US$ 2,3 mil por tonelada.

"A Petrobras, com suas parceiras, usa a referência mais cara para a nafta (ARA - Amsterdam, Roterdam e Antuérpia) e com isso repassa para as resinas, pressionando os custos e a competitividade", diz Batista.

Para o presidente da Abraflex, a consolidação do setor petroquímico causou distúrbios no fornecimento de resinas no País. "O setor de transformação plástica ficou nas mãos de um único fornecedor de matérias-primas", ressaltou.

A Petrobras foi o principal agente no movimento de consolidação do setor petroquímico no ano passado.

A companhia possui participação minoritária nas duas principais petroquímicas do País, Braskem e Unipar. Esta última formará com a estatal a Companhia Petroquímica do Sudeste (CPS, nome provisório); a nova empresa deverá estar consolidada no final do primeiro semestre, segundo executivos do setor. (Fonte: DCI)