2ª geração petroquímica: períodos desafiadores
28/01/2008

Os produtores brasileiros de resinas termoplásticas terão de mostrar, ao longo de 2008, capacidade especial de planejamento e eficiência, com o objetivo de amenizar o impacto de uma série de eventos, que promete colocar pressão sobre a indústria petroquímica. Paradas programadas em três centrais de matérias-primas, oferta adicional no mercado doméstico de polipropileno e polietileno em razão de nova fábrica em SP e de um projeto de expansão, custos ascendentes com insumos e novas operações no Oriente Médio fazem deste ano um período desafiador para a 2ª geração petroquímica nacional. O alento a essas companhias fica por conta da expectativa positiva para o consumo doméstico de PP, PE e PVC, que ainda deve crescer em taxa significativa apesar da forte expansão registrada entre 2006 e 2007. Somente no Oriente Médio, as novas linhas de produção irão adicionar 3,5 milhões de toneladas/ano desses dois tipos de resinas, que usam gás natural de baixo custo como matéria-prima.

Para o presidente do Siresp, José Ricardo Roriz Coelho, o tamanho dos projetos do Oriente Médio chama a atenção, mas não haverá impacto nas cotações internacionais dos termoplásticos, ao menos no curto prazo. Boa parte da produção, afirmou o executivo, será direcionada para o mercado asiático, cujo consumo é crescente. Dessa forma, poderia haver um equilíbrio de forças. Para consultores que acompanham a indústria petroquímica, contudo, o degrau de oferta é relevante e poderá levar, no médio prazo, a um novo nível de preços e margens da indústria, culminando assim no encerramento do chamado fly-up do setor. Internamente, as atenções estarão voltadas principalmente para a Petroquímica Paulínia, que será controlada integralmente pela Braskem, com início de operação previsto para o final de março, a unidade de PP abastecerá, principalmente, o mercado do Sudeste e vai operar com capacidade para 300 mil toneladas/ano.

De acordo com o Siresp, no ano passado, o avanço do segmento, teria ficado próximo a 10% e, em 2008, a expansão deve chegar a 7%. Mantido este ritmo, a oferta adicional interna de resinas teria impacto reduzido nas cotações domésticas, que ficariam menos suscetíveis à oscilação das cotações internacionais, que devem sofrer com as novas fábricas do Oriente Médio. Nafta e câmbio, entretanto, permanecem como incógnitas, uma vez que podem tanto piorar o cenário quanto reduzir os obstáculos das petroquímicas num ano cheio de desafios. (Fonte: Agência Estado)