Transporte de químicos atrai novos operadores
28/01/2008

Atrair clientes de peso para seu portfólio com o transporte de cargas perigosas por rodovias. Esta é a meta de grandes operadores logísticos, que por encontrarem um segmento com poucas empresas especializadas e considerado por especialistas mais rentável, atrai a atenção de grandes players que até então não atuavam com o transporte de cargas especiais - como combustíveis e produtos químicos.

A Tegma Gestão Logística é uma das empresas que enxergam no setor boa oportunidade para incrementar os negócios. Tanto que acaba de fechar contrato de R$ 19 milhões com a Shell Brasil, para o transporte de óleo lubrificante. Outra também interessada em ampliar sua presença nesse segmento é a Columbia Logística, que atende a uma das maiores fornecedoras de insumos químicos, a alemã Lanxess, e pretende aumentar a atuação nessa área. Corporações experientes em logística de petroquímicos, como a Ultracargo, do Grupo Ultra, e que tem aportes previstos de pelo menos R$ 110 milhões para os próximos dois anos, querem aumentar a opção de serviços na área de distribuição para assegurar o serviço a seus clientes de peso.

Com o objetivo de se consolidar entre os players de logística no País, atuando hoje no ramo automobilístico em que figura entre as líderes no transporte de carros, a Tegma, que tem como acionistas a Coimex e o Grupo Itavema-Sinimbu, se dedica a iniciar uma operação onde transportará lubrificantes da Shell.

A empresa registrou, nos primeiros nove meses de 2007, receita operacional líquida pró-forma de R$ 520,482 milhões, valor 32,2% superior ao mesmo período de 2006. Com isso, prevê fechar o último ano atingindo até R$ 730 milhões.

Para Gennaro Oddone, presidente da Tegma, é uma oportunidade para diferenciar a atuação da empresa. "A partir do desenvolvimento desse projeto para a Shell, poderemos ampliar a gama de clientes e negócios no novo segmento", conta Oddone. Hoje, a empresa administra uma frota de mais de 2,6 mil carros, tendo clientes como General Motors, Ford, Volkswagen, Fiat, Honda, Toyota, Renault e BMW. Com a entrada no novo segmento, a Tegma quer passar a atender também grandes empresas do setor de combustíveis.

Rentabilidade

De olho na rentabilidade e com o objetivo de superar os 13% de crescimento obtidos no ano passado, quando faturou R$ 438 milhões, a Columbia tem como enfoque para 2008 ampliar as ações junto à indústria química - setor que representa hoje 10% de suas operações. Para isso, pretende apostar em soluções tecnológicas para conquistar novos clientes.

De acordo com a empresa, a previsão é de a Columbia começar a trabalhar também na área petroquímica, já que sua principal cliente, a Lanxess, começa a atuar nesta área. "O ano de 2007 foi marcado por mudanças para o Grupo Columbia. Posicionando-se firmemente em relação ao foco da empresa, logística integrada", destaca Nivaldo Tuba, diretor executivo da empresa.

Grupo Ultra

Especialista neste mercado, José Luis Portela Gómez, gerente da área de transportes da Ipiranga, braço do Grupo Ultra, explica que cerca de 60% da distribuição de combustíveis é feita pela transportadora da própria companhia, a Tropical, e que o restante fica por conta de empresas de logística terceirizadas regionais. Ele explica que em determinadas regiões existem transportadores especializados, que permitem uma melhor capilaridade a distribuição, uma oportunidade para os operadores logísticos.

Gómez conta também que a partir deste ano, ocorrerá um equilíbrio entre a oferta e a demanda, o que deve contribuir com a renovação destas frotas, que exigem alto nível de controle e monitoramento, além de normas rígidas de segurança. "Num bom planejamento é necessário que você tenha um número menor de empresas, para ter custos mais diluídos, mas cada região tem uma peculiaridade, então sob o aspecto logístico e de custo, acabamos não abrindo mão de uma transportadora regional", explica o executivo. O especialista comenta que com a entrada do biodiesel no mercado, que deve representar aproximadamente 2% das operações, que hoje estão na casa de quase 60 milhões de metros cúbicos movimentados por rodovias, devem-se abrir novas oportunidades no mercado.

Outra empresa do Grupo Ultra, a Ultracargo, que concentra os negócios em toda a cadeia logística de petroquímicos do grupo, atua também na distribuição de produtos químicos em tambores e latas. A empresa pretende ampliar a base de atuação com próprios clientes, corporações como Braskem, Rhodia, DuPont e Suzano Celulose. Dos R$ 110 milhões previstos para investimentos em 2008, R$ 25 milhões, estarão voltados aos armazéns e distribuição para os clientes.

"Cerca de 80% das receitas e serviços vem dos clientes do mercado, por isso estamos crescendo o processo de distribuição", conta Ricardo Marcos Flores, gerente de desenvolvimento e projetos da Ultracargo. Flores conta que a empresa mantém um centro de distribuição em Mauá, no interior de São Paulo, região do ABC paulista, com 20 mil metros quadrados, e que destes, cinco mil metros estão dedicados aos produtos perigosos. "A estratégia é aumentar portfólio de serviços, nos terminais portuários, e os do interior, como os centros logísticos para as operações de cargas embaladas, com foco no transporte rodoviário", finaliza . (Fonte: DCI)