Nova Petroquímica: impacto da oferta adicional de PP não será imediato
24/01/2008

A oferta adicional de polipropileno (PP) no mercado doméstico ao longo de 2008, em razão do início das operações da Petroquímica Paulínia (PPSA) e de dois projetos de expansão em unidades da antiga Suzano Petroquímica, não terão impacto imediato nos preços internos da resina, na avaliação do gerente de Marketing da Nova Petroquímica (nome transitório adotado pela Suzano após a compra pela Petrobras), Sinclair Fittipaldi.

Conforme o executivo, o volume adicional do termoplástico, de cerca de 500 mil toneladas/ano, ante demanda doméstica de 1,2 milhão de toneladas no ano passado, chegará de maneira escalonada ao mercado e em um período que será marcado por paradas programadas em três centrais de matérias-primas petroquímicas, o que levará a um equilíbrio natural no mercado.

Outro motivo para a aposta na relativa estabilidade dos preços domésticos do PP, no curto prazo, é a possibilidade de substituição das importações e o forte crescimento do mercado. Conforme Fittipaldi, entre 2006 e 2007, a demanda brasileira pela resina cresceu aproximadamente 10% e, para este ano, a projeção é a de expansão entre 8% e 10%.

"Em 2007, foram importadas 150 mil toneladas de PP e parte desse volume poderá ser substituído por produto nacional", argumentou. Essa trajetória do mercado brasileiro acompanha a curva mundial de demanda pela resina, que até 2012 deverá crescer a taxas de 6% ao ano. Atualmente, o consumo mundial de PP está estimado em 47 milhões de toneladas/ano, segundo o gerente da Nova Petroquímica, das quais 3 milhões de toneladas referentes ao consumo latino-americano.

"O mercado começou o ano muito bem e estamos implementando, desde o início do ano, um reajuste gradual de preços", ressaltou Fittipaldi. Entre janeiro e fevereiro, comentou, a Nova Petroquímica, assim como as demais produtoras brasileiras de resina, está reajustando em US$ 100/tonelada o valor da tonelada dos principais termoplásticos, na esteira da demanda aquecida e da elevação dos custos com matéria-prima. Hoje, a nafta na Europa era negociada a US$ 815/tonelada e, na semana passada, a commodity chegou aos US$ 870/tonelada no mercado japonês. Historicamente, os preços do insumo se situam no intervalo de US$ 450/tonelada a US$ 550/tonelada.

Para o médio prazo, entretanto, o executivo não descarta a possibilidade de o volume adicional exercer efeito negativo sobre a cotação doméstica do polipropileno. "Vai haver algum excedente e deverá haver pressão sobre os preços", afirmou Fittipaldi. "Mas, em razão da paradas, 2008 ainda será um ano de equilíbrio", acrescentou. Conforme o executivo, neste momento, a Nova Petroquímica está trabalhando na composição de estoques para operar sem interrupções durante a parada da Petroquímica União (PQU), central de matérias-primas do Pólo de Mauá (SP). "Embora tenhamos adotado um nome transitório (após a compra pela Petrobras), todos os investimentos programados estão mantidos", comentou.

Conforme Fittipaldi, também os aportes em pesquisa e lançamento de novos produtos estão mantidos. "Não mudamos nossa estratégia de foco dos lançamentos no consumidor final, o que tem se mostrado bastante acertado", acrescentou. No ano passado, a companhia, que poderá usar a marca Suzano até o final de maio, lançou 14 produtos, que efetivamente chegaram ao mercado, dentre os quais diferentes tipos de PP com nanotecnologia, voltados aos segmentos automotivo, alimentício, de cosméticos, entre outros. (Fonte: Agência Estado)