Preços atrativos vão impulsionar mercado de resinas verdes em 2008
21/01/2008

A reconstrução da indústria alcoolquímica nacional, que voltou ao centro das atenções, a partir do início da escalada da cotação do petróleo, poderá ganhar força em 2008, impulsionada pelos três principais preços que a influenciam: o do óleo, em alta; o do etanol, estável em nível baixo conforme os produtores; e o das chamadas resinas verdes, produzidas a partir do álcool, que devem custar mais do que os termoplásticos obtidos pela rota petroquímica. Para as companhias químicas interessadas em produzir resinas verdes ou outros compostos a partir de etanol, haveria oferta do insumo e a preços atraentes. Esse cenário, contudo, vale apenas para o curto prazo. No longo prazo, como já alertou o presidente do Siresp, José Ricardo Roriz Coelho, não há garantia de entrega da matéria-prima para essa finalidade, uma vez que sua aplicação prioritária é no mercado de combustíveis.

Na ponta das resinas, por sua vez, a expectativa das companhias é a de que o termoplástico produzido a partir de etanol seja vendido com o prêmio sobre o produto tradicional. Ao anunciar o projeto de implantação de uma fábrica de polietileno verde, o presidente da Braskem, José Carlos Grubisich, afirmou que haveria disposição do mercado de pagar entre 15% e 20% a mais pelo produto ecologicamente correto. A Solvay Indupa, que pretende investir na fabricação de PVC, a partir de etanol no Brasil, também estima que os preços serão diferenciados e o mercado definirá o valor do prêmio.

Entretanto, dificilmente haverá substituição integral ou mesmo relativamente grande do petróleo pelo etanol, ao menos na indústria química, em razão da existência de fábricas modernas e, principalmente, da nova tecnologia de produção de petroquímicos a partir de frações do petróleo pesado, que será estreada pelo Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) e é vista como um novo paradigma - o etanol, na realidade, já foi bastante utilizado como matéria-prima no setor, porém tornou-se inviável a partir da decadência do Proálcool. (Fonte: Agência Estado)