Petroquímica do Sudeste sai já no 1º semestre, garante Unipar
17/01/2008

A Companhia Petroquímica do Sudeste (CPS), que reunirá os ativos de Unipar e Petrobras, estará consolidada no final do primeiro semestre. Pela Unipar, serão incluídas as participações de 51% na Petroquímica União (PQU), 99% na Polietilenos União e 33% na Rio Polímeros (Riopol), além de um aporte de R$ 380 milhões que servirá para comprar as participações da Petrobras e da Suzano Petroquímica (agora controlada pela estatal) na Riopol. Da parte da Petrobras, serão entregues a participação totalitária na Suzano Petroquímica e as participações na PQU, em torno de 25%.

Com este formato, a companhia que vai formar a empresa líder do setor no Sudeste será controlada pela Unipar, que deterá 60% do capital. A estatal terá 40% do empreendimento.

Primeiro degrau

De acordo com Roberto Dias Garcia, presidente da Unipar, no momento a etapa é de agrupar, em uma empresa intermediária, todos os ativos da empresa que serão levados para a CPS.

Após esta etapa, a companhia consolidará este núcleo provisório com os ativos trazidos pela Petrobras. "Nessa primeira fase será criada uma empresa de propósito específico e ainda 100% Unipar. Ela não é uma empresa definitiva, ela vai ser um degrau para a empresa final, que é a Companhia Petroquímica do Sudeste", explicou Garcia.

Garcia prevê que as operações para criação da CPS deverão estar concretizadas no final do primeiro semestre.

"Estamos procurando fazer com que entre junho e julho tenhamos a empresa consolidada. As aprovações estão consumadas e o suporte financeiro também para o aporte dessas novas participações e do equilíbrio dessa posição (controle do setor privado). Precisamos cumprir as formalidades legais. Como neste momento somos dependentes de núcleos financeiros diferentes, isso tem de ser aprovado em uma etapa após a outra, inclusive com o BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social]", afirmou o executivo.

A participação do BNDES na nova empresa será de em torno de 6%. O tamanho dessa fatia vai depender da decisão do banco de exercer ou não seu direito de preferência na compra das ações da Suzano na Riopol. Se a opção for exercer, o BNDES aumenta sua fatia de 16,5% para 25%, ficando com 6%, na CPS. Caso contrário, ficará com cerca de 4%.

Segundo estimativas de especialistas do setor, a nova companhia nasce com uma capacidade instalada anual de cerca 1,4 milhão de toneladas de resinas termoplásticas, o que a colocaria como a 13ª maior empresa do setor nas Américas. A receita consolidada da nova petroquímica deve girar ao redor de R$ 8 bilhões, e sua dívida supera os R$ 3 bilhões.

Já a Braskem, que liderou, em conjunto com a Petrobras, a consolidação do setor na Região Sul, tinha dívida líquida de R$ 5,7 bilhões e receita anual de R$ 8 bilhões. Hoje, a dívida da empresa do grupo Odebrecht continua girando por volta de R$ 5 bilhões, mas sua receita aumentou para R$ 23 bilhões com atividades no Nordeste e no Sul - com a consolidação de seus ativos no sul, a companhia aumentou sua capacidade produtiva para 3,2 milhões de resinas plásticas, sendo a 3º maior petroquímica das Américas, atrás das americanas Exxon e Dow Chemical. No Sudeste, a Braskem tem ainda o projeto em Paulínia (São Paulo), que deve produzir 350 mil t de polietileno, que deve começar a operar em abril.

Parada em outubro

De acordo com Roberto Approbato Machado, presidente da PQU (empresa controlada pela Unipar), a consolidação trará ganhos tecnológicos, operacionais e logísticos, entre outros. Segundo ele, na parada para manutenção da PQU, em outubro, a central do Grande ABC já pensa em contar com a colaboração da Riopol, instalada no Rio de Janeiro.

"A Riopol vai colaborar com a nossa parada de manutenção com recursos industriais e físicos, como inspetores e materiais, até mesmo com disposição de andaimes, por exemplo. Teremos compartilhamento de conhecimento também: a PQU é a primeira petroquímica brasileira, temos um corpo profissional experiente com profissionais de mais de 25 anos de petroquímica", prevê Approbato.

Para Aprobatto, a consolidação das empresas do Sudeste é uma condição necessária de competitividade dentro da petroquímica atual. "A área de atuação das petroquímicas deixou de ser regional e passou a ser nacional e global. A consolidação proporciona musculatura para o setor competir neste cenário", conclui o executivo.

Em outubro, a PQU iniciará sua nova capacidade produtiva, aumentando sua produção anual de eteno (matéria-prima para fabricação de resinas plásticas e outros produtos) de 500 mil toneladas para 700 mil toneladas (t). Um novo projeto prevê elevar a capacidade para 1,1 milhão de t. (Fonte: DCI)