Braskem diversifica para reduzir vínculo com nafta
16/01/2008

"Se o investidor quiser apostar em papéis de petroquímicas, a Braskem é a melhor opção no mundo", diz Grubisich

Em sua lista de novos projetos de crescimento, a petroquímica Braskem está buscando a diversificação de suas fontes de matérias-primas, reduzindo sua dependência praticamente exclusiva da nafta, um derivado do petróleo que não pára de ter seu preço aumentado.

Em março, com a inauguração de sua unidade de produção de polipropileno em Paulínia (SP), a petroquímica utilizará o gás de refinaria da Petrobras. Até 2012, ela tem projetos que usam o etanol para produzir polietileno "verde" e gás natural para fabricar resinas na Venezuela.

"Esses projetos já são uma resposta as questões relacionadas ao petróleo", afirmou ao Valor o presidente da Braskem, José Carlos Grubisich. Além da ênfase especial à produção de resina "verde" a partir do etanol, Grubisich avalia que os projetos na Venezuela - de grandes dimensões - rompem com estrutura atual da companhia ligada à nafta: "São os mais competitivos das Américas, comparados com os do Oriente Médio". A petroquímica também poderá utilizar matéria-prima extraída de óleo pesado caso participe do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), projeto liderado pela Petrobras.

As petroquímicas, tanto no Brasil como no exterior, estão sendo abaladas pelos fortes aumentos das matérias-primas, que respondem por mais de 60% a 70% de seus custos. De agosto para cá, as ações da Braskem caíram 27,8%, no mesmo instante em que o petróleo disparou e ultrapassou os US$ 100 o barril para estacionar hoje na casa dos US$ 90. A nafta subiu, desde dezembro de 2006, 57% em dólar. Os papéis da petroquímica estão sendo negociados a 12,7% abaixo do valor da empresa em março do ano passado quando foi anunciada a compra, juntamente com a Petrobras, dos ativos da Ipiranga.

Mesmo assim, Grubisich demonstra otimismo quanto ao futuro das ações. "Se o investidor quiser investir em papéis de petroquímicas no mundo, a melhor opção é a Braskem", afirmou. Segundo o executivo, a compra dos ativos da Ipiranga e a posição acionária da Petrobras, que tem 25% da empresa, deram "robustez" à companhia fazer não só seus futuros investimentos com o aumento da geração interna de caixa - que passa para US$ 1,7 bilhão - como também aquisições no mercado internacional. "A Braskem entra num momento em condições de ser um ator da petroquímica global", afirmou.

A estratégia da companhia é analisar as oportunidades que criem valor. No front externo, além da Venezuela, a petroquímica ainda não desistiu do projeto na fronteira com a Bolívia, afetado pelas negociações no suprimento de gás natural. E analisa também a possibilidade de investir em Camisea, no Peru, onde existem reservas de gás natural. Em ambos, a petroquímica conta com o apoio da Petrobras.

Quanto ao Comperj, a Braskem aguarda maiores detalhes da modelagem do projeto e não descarta a possibilidade de vir a entrar no complexo juntamente com a Petrobras e a Companhia Petroquímica do Sudeste (CPS), a recém-montada empresa controlada pela Unipar. "Tudo dependerá do modelo de gestão e governança", afirmou. Não vê problemas em eventuais restrições a serem impostas pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). "Ele [o Cade] já reconheceu que a lógica da petroquímica é global, e não local ou regional." (Fonte: Valor Econômico)