Pólo do ABC deve comprar água de reuso da Sabesp
15/01/2008

Um consórcio de empresas ligadas ao pólo petroquímico de São Paulo, na região do ABC, assina, hoje, um protocolo de intenções com a Companhia de Saneamento de São Paulo (Sabesp), para fechar o maior contrato de fornecimento de água de reúso do país. Diante do risco de escassez do recurso na região metropolitana paulista, as empresas buscam garantir o abastecimento futuro para seus projetos de expansão e, ao mesmo tempo, minimizar os impactos ambientais do uso intensivo de água por parte do pólo. O Acquapólo, como é chamado o projeto, prevê um investimento, pelas empresas, de aproximadamente R$ 130 milhões na construção de um duto de 16,5 quilômetros, com capacidade de transportar até mil litros por segundo, uma estação elevatória e outra de tratamento especial da água para uso industrial. As empresas negociam um empréstimo com o BNDES.

A Petroquímica União (PQU) - líder do consórcio- está finalizando o investimento de R$ 1,2 bilhão em um projeto de expansão de sua produção, o que trará uma necessidade maior de uso de água, já em outubro deste ano. Juntamente com outras oito empresas do pólo, como a Polietilenos União, Oxiteno e Praxair, vai elevar o consumo do recurso a 600 l/s. Hoje as empresas coletam e tratam a água que consomem, cerca de 350 l/s, do poluído rio Tamanduateí, afluente do Tietê. "O Acquapólo evita a interferência no consumo de água potável da região e reduz impacto sobre a vazão do rio", diz Rubens Approbato Machado Jr, diretor-superintendente da PQU. A água de reúso virá do tratamento de esgoto da estação do ABC, uma das cinco maiores unidades da Sabesp. Hoje a empresa estadual comercializa apenas 0,5% de toda água resultante do tratamento de efluentes. Com o projeto, o volume subirá para 3,6%. "O consumo inicial do pólo equivale ao de cidade de 200 mil habitantes, como Jundiaí", diz Gesner Oliveira, presidente da Sabesp. Hoje a Sabesp vende cerca de 90 l/s para prefeituras e indústrias, obtendo uma receita de R$ 120 mil por mês.

O protocolo a ser assinado hoje prevê nos próximos 45 dias uma negociação dos termos do contrato. Entre as questões em aberto, está a forma de retorno do investimento das empresas junto à Sabesp, já que ela será titular do sistema de transporte da água. O consórcio poderá ter desconto na conta de água ou receber parte da receita da venda do produto a terceiros. Outra dúvida é se a Petrobras, dona da refinaria de Capuava, vizinha ao pólo, integrará o consórcio. O preço da água de reúso ainda não foi definido. "O valor será inferior ao da água potável", diz Oliveira. Nesta fase de negociação também será definido o traçado do duto, que cruzará os municípios de São Caetano e Santo André, podendo utilizar a faixa de servidão da Cia Paulista de Trens Metropolitanos. As obras devem durar 18 meses, ultrapassando em um ano o término da expansão da capacidade de produção da PQU, responsável por 65% do consumo de água do pólo. Até lá, as empresas terão como alternativas a retirada adicional de água do Tamanduateí ou a compra de água potável da Sama, empresa de saneamento de Mauá. Approbato diz que não está descartada a possibilidade de complementar o abastecimento com água de reúso da Ecosama, concessionária de esgoto de Mauá, que pertencia à Gautama, de Zuleido Veras, acusado de corrupção. Quando ganhou a concessão em 2002, a Gautama contava com essa receita, mas até hoje, não foi construída a estação prevista em contrato. A Odebrecht, que comprou a Ecosama no fim de 2007, declarou interesse no negócio. (Fonte: Valor Econômico)