Entenda a consolidação do setor petroquímico no Brasil
03/12/2007

Petrobras, Braskem e Unipar anunciaram na sexta-feira a conclusão de negociações visando a consolidação do setor petroquímico brasileiro.

Duas grandes empresas, ambas com participação da Petrobras, reunirão ativos petroquímicos de várias regiões do País, fortalecendo a indústria e dando escala para competir no mercado internacional.

A Braskem receberá ações de empresas onde a Petrobras tem participação e a sua controladora, Odebrecht, passa a deter 37,2% da companhia, contra os 44,6% atuais, enquanto a Petrobras, que tinha 6,8%, fica com 25%.

A segunda empresa, ainda sem nome, será formada com os ativos da Petrobras e da Unipar no Sudeste, e o capital será dividido em 40% para a estatal e 60% para a Unipar.

Veja a seguir o que muda no setor:

Petrobras - Antes apenas investidora financeira, passa a ter voz ativa nos conselhos de administração das duas empresas, para as quais também fornece matéria-prima.

Braskem - Maior petroquímica da América Latina, controlada pela Odebrecht, receberá da Petrobras as seguintes participações em troca de ações próprias:

* Central Petroquímica do Sul (Copesul) - Responsável pela venda de 35% de eteno no Brasil;

* Petroquímica Paulínia - Empresa de polipropileno que entra em operação em 2008;

* Ipiranga Química - Distribuidora de produtos químicos e logística;

* Ipiranga Petroquímica - Responsável pela produção de cerca de 14% das resinas no Brasil;

* Petroflex - Quarta maior produtora mundial de elastômero sintético, exporta 30% da produção;

* Cetrel - Empresa de Proteção Ambiental;

* Petroquímica Triunfo - Produtora de polietileno, responsável por 3% das resinas no Brasil.

Números

A nova Braskem terá receita bruta de US$ 11,4 bilhões, receita líquida de US$ 9,1 bilhões e Ebitda (lucro antes de juros, taxas e amortizações) de US$ 1,7 bilhão.

Produtos

2,48 milhões de toneladas/ano de eteno; 1,13 milhão de t/ano de propeno; 1,97 milhão de t/ano de polietileno; 1,04 milhão t/ano de polipropileno. Antes a Braskem produzia 1,28 milhão t/ano de eteno; 530 mil t/ano de propeno, 1,26 milhão de t/ano de polietileno e 560 mil t/ano de polipropileno.

Sociedade Petroquímica do Sudeste

Integra ativos da Petrobras e da Unipar em uma nova companhia. A nova empresa terá os seguintes ativos:

* Petroquímica União (PQU) - Produz 500 mil toneladas de eteno por ano; 250 mil toneladas de propeno e passa a produzir etileno no quarto trimestre de 2008.

* Polietilenos - Produz 130 mil toneladas de polietilenos por ano e tem plano de expansão para 330 mil toneladas por ano no quarto trimestre de 2008.

* Unipar/Divisão Química - Produz 210 mil toneladas de cumeno por ano, maior cliente de benzeno e único consumidor de propeno grau químico da PQU.

* Riopol - Produz 540 mil toneladas por ano de polietilenos.

* Suzano Petroquímica - Produz 200 mil toneladas por ano de polipropileno no Rio de Janeiro; 360 mil t/ano em São Paulo e 125 mil t/ano na Bahia.

Números

Receita líquida de R$ 6,1 bilhões e Ebitda de R$ 900 milhões.

Produtos

500 mil toneladas de eteno por ano; 250 mil t/ano de propeno; 210 mil t/ano de cumeno; 814 mil t/ano de polietileno; e 685 mil toneladas/ano de polipropileno.



Processo de consolidação continua nesta semana e avança por 2008

Diário do Grande ABC

03/12/2007



O setor petroquímico brasileiro passará, nas próximas semanas, por um profundo processo de consolidação. Mudanças importantes estão prontas para entrar em prática – alterações fundamentais para assegurar a competitividade num dos mais complexos segmentos da economia. Em SP, a promessa de baixar o ICMS, dos atuais 18% para 14% anima as empresas do setor. A redução dos impostos sobre a atividade garantirá fôlego extra principalmente ao Pólo Petroquímico do ABC – responsável por mais da metade da arrecadação de Mauá e fatia significativa em Santo André, além de sustentar centenas de empregos regionais. Outro fator que turbina o segmento petroquímico é a negociação da Petrobras com a Braskem e a Unipar. Na sexta-feira, as gigantes definiram um complexo processo de movimentação de ativos, que contará nos próximos meses com duas grandes empresas, em que a estatal terá participação. A idéia é ampliar a capacidade produtiva, de olho no aumento do consumo interno e conquista de mercado no Exterior. A consolidação das petroquímicas não contempla apenas o Grande ABC, mas prioriza também o Comperj, ainda em fase de construção, e que será objeto de negociação. Seja qual for o rumo setor, é certo que 2008 será marcado, por grandes transformações. (Fonte: Reuters)