Petrobras não tem como atender à alta na demanda de gás
01/11/2007

O presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, admitiu nesta quarta-feira, em entrevista em Londres, que a companhia não tem como atender ao crescimento da demanda por gás natural no curto prazo e disse que vem alertando as distribuidoras desde o início da crise da Bolívia. “Hoje, se tivermos de manter o crescimento no consumo de gás, vamos ter algumas dificuldades em entregar o volume além do contrato. A indústria de gás não é como um supermercado em que você vai lá e compra.” Em entrevista à BBC de Londres, Gabrielli mais uma vez reconheceu que a tendência, a médio e longo prazos, será que o consumidor pague mais caro pelo gás natural. No Rio, a diretora de Gás e Energia da estatal, Maria das Graças Foster, seguiu a mesma linha, ao afirmar que o “preço do gás tem de pagar o custo de exploração e produção” do produto. Segundo ela, a Petrobras já vem adotando uma estratégia de elevar o preço, ao reajustar trimestralmente seus contratos, após dois anos de descontos. Segundo a Fiesp, a redução no fornecimento de gás para indústrias de São Paulo gera insegurança no setor, que é o principal consumidor do produto no país e já enfrentou problemas neste ano devido à nacionalização promovida pela Bolívia. "É mais uma evidência de que o país não tem planejamento estratégico em infra-estrutura", disse o diretor do Departamento de Infra-Estrutura da Fiesp, Saturnino Sérgio da Silva. (Fonte: Folha de S. Paulo)