Nafta deve alcançar US$ 700 a tonelada
04/10/2007

A nafta, base da indústria brasileira de sintéticos, abriu o mês com uma alta de 4,17% em pleno pico da demanda mundial pelas resinas sintéticas. O produto vendido pela Petrobras no País passou a custar US$ 700 a tonelada desde a segunda-feira. Em setembro esteve em US$ 672. O principal motivo da alta é o preço do barril de petróleo acima dos US$ 80.

Entre agosto e outubro as indústrias no mundo todo começam a transformar resinas em produtos sintéticos para as vendas de Natal. No Brasil, os produtores de polietileno (a resina mais usada no globo) estão reajustando preços, cliente por cliente, já há cerca de 30 dias. Os fabricantes de polipropileno (usada fortemente por montadoras de automóveis) começam os reajustes de preço este mês.

"Depois de ter apresentado queda de preços nos últimos meses, a alta do petróleo, que em grande parte ocorre por forte especulação no mercado internacional, pode fazer com que haja alta no preço da nafta também em novembro", disse a especialista Solange Stumpf, da consultoria especializada MaxiQuim.

Segundo a consultora, esta alta neutraliza em parte as baixas nos preços do derivado que ocorreram em julho e setembro (em agosto o preço em reais ficou praticamente estável). Em julho a tonelada de nafta vendida no País recuou de preço 5%, e em setembro 1,6%.

Os dados sobre a nafta são de simulação feita pela consultoria MaxiQuim e levam em conta o mesmo cálculo feito pela Petrobras.

Para Sinclair Fittipaldi, gerente de marketing da Suzano Petroquímica (comprada pela Petrobras há um mês), apesar do risco de furacões no Golfo do México e de estoques baixos da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep),a especulação pode ser a principal responsável por manter em alta o preço do petróleo. "Infelizmente os traders mudam de posição mais rápido do que os furacões, o que ainda pode deixar o petróleo acima de US$ 80", disse.
Segundo o executivo, a importação de nafta pelo País, que hoje fica em torno de 30% do total consumido, não deve aumentar com o preço em US$ 700 no mercado interno.

Isso porque a tonelada de nafta na região européia ARA (Antuérpia, Roterdã e Amsterdã) foi vendida a US$ 730 na sexta-feira. Mesmo nos Estados Unidos, onde o derivado de petróleo está mais barato, em US$ 712 a tonelada, segue superando a vendida no Brasil pela Petrobras.

Para a especialista da MaxiQuim, não há cenário de oferta de nafta mais barata no exterior. "Estamos hoje com a oferta de nafta apertada já que demanda vem subindo. As novas capacidades de produção de resinas começam a entrar em operação na Ásia e não há um aumento na oferta de nafta para isso", disse.

Isso porque a produção de nafta segue a produção e refino de petróleo, e não a demanda pela indústria petroquímica mundial.

O aumento do petróleo e seus derivados deverá encarecer o preço de alguns alimentos nas festividades de final de ano. Isso porque os transformadores de resinas e produtos prontos de plástico já avisaram às grandes multinacionais do setor alimentício que não conseguirão absorver o novo reajuste nos preços das resinas. Este processo de revisão nos insumos, revela o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Embalagens Plásticas Flexíveis (Abief), Rogério Mani, está ocorrendo há dois meses. "Acredito que o reajuste no acumulado entre agosto e setembro tenha sido de aproximadamente 11% ou 12%", disse.

Ele destaca que as margens de lucro dos transformadores estão muito apertadas, por isso o setor precisa conversar com os fabricantes alimentícios sobre o assunto.

"Acredito que o fato de que os custos de toda a cadeia estão em alta ajude nas negociações com nossos parceiros", disse, referindo-se ao barril de petróleo, que ultrapassou a barreira dos US$ 80 nos Estados Unidos e elevou o preço da nafta.

Para ele, as petroquímicas não devem aplicar novos reajustes nos próximos meses, mas também é pouco provável que o valor das resinas caia até o final do ano. Com o aumento, os consumidores devem encontrar algumas mercadorias mais caras, uma vez que, segundo dados da Fundação Getulio Vargas (FGV), a embalagem (considerando todos os materiais) responde por 8% do preço final dos produtos não-duráveis. (Fonte: Gazeta Mercantil)