Nafta dispara e pressiona cadeia petroquímica
17/09/2007

A nafta, principal matéria-prima da petroquímica, quebrou a barreira de US$ 700 por tonelada e essa alta terá reflexos em todos elos da cadeia produtiva do setor. Pela previsão dos fabricantes de produtos plásticos, que compram resinas produzidas a partir da nafta, o aumento do produto, que neste ano já supera 27%, será repassado a seus clientes, que incluem empresas do porte da Nestlé e da General Motors.

Com a cotação do barril de petróleo na casa dos US$ 80 (leia texto nesta página), o preço da nafta petroquímica deverá ter novos reajustes. O produto iniciou o ano cotado a US$ 550 por tonelada.

Para João Zuñeda, diretor da Maxiquim (consultoria especializada no setor petroquímico), o barril do petróleo acima dos US$ 80 vai influenciar o preço da nafta em outubro e novembro. "Se não for especulação de curto prazo, este novo patamar de preços do petróleo vai pressionar o aumento da nafta nos próximos meses", afirmou Zuñeda.

Há meses, as petroquímicas brasileiras tentam negociar com a Petrobras a redução do preço do insumo, mas até agora não tiveram sucesso. A estatal, única fornecedora de nafta petroquímica no País, calcula um preço fixo mensal para o derivado de petróleo considerando indicadores da variação cambial, preço da nafta no mercado internacional e também um prêmio cobrado pela companhia pelo transporte do produto que, somado, ultrapassa o valor praticado no mercado externo.

Resinas programam alta

De acordo com Sinclair Fittipaldi, gerente de Marketing da Suzano Petroquímica, os últimos relatórios do setor indicam que em função do furacão Humberto, cerca de 10% dos crackers (que transformam o petróleo em nafta) foram desligados. "Até o momento, não foram registradas paradas nas plantas produtoras de poliolefinas [resinas plásticas]."

Fittipaldi afirma que a Suzano pode rever os preços das resinas plásticas, caso ocorra um incremento no valor da nafta. "Em função do aumento do petróleo e, conseqüentemente, da nafta, é natural e legítimo um pleito de aumento de preços por parte da petroquímica", destacou Fittipaldi.

Fittipaldi afirmou, ainda, que no segundo semestre ocorre uma maior demanda por resinas plásticas e que há um estreitamento na relação de oferta e demanda. "Atualmente, essa relação das poliolefinas na Europa, na Ásia e nos Estados Unidos está bastante estreitada. Na Europa, apesar de ser uma região com superávit de resinas, a relação euro/dólar pode abrir portas para exportações de resinas de outras regiões, inclusive do Brasil", afirma.

Aumento de 15% a 20%

Segundo estudo da associação dos transformadores de plástico da Europa, as resinas petroquímicas devem sofrer reajustes de 15% a 20% nos próximos seis meses. (Leia texto ao lado)

De janeiro a agosto, as resinas polietileno (PE) e polipropileno (PP) aumentaram 11% e 9%, passando a custar US$ 2 mil e US$ 2,2 mil.

De acordo com Merheg Cachum, presidente da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast), a indústria de transformação plástica não tem condições de absorver mais um aumento nos valores das resinas plásticas. "Teremos de repassar esse aumento aos clientes, como Nestlé e General Motors. O nível de volume dos produtos está muito bom, mas a nossa lucratividade é quase zero. Não seria um aumento de preço, mas uma atualização de toda a cadeia petroquímica", ressaltou Cachum.

Para ele, o mercado brasileiro deveria ter preços próprios para nafta e resinas. A nafta de referência no mercado interno é definido pelo preço ARA (Amsterdã, Roterdã e Antuérpia), que representa uma região de forte comércio internacional. "Nossa referência é a pior, essa região não fabrica nafta nem resinas. Temos de praticar preços internos" garante.

O presidente da Abiplast afirmou ainda que espera que a consolidação da petroquímica brasileira (fornecedores de matérias-primas e produtores de resinas) gere benefícios para a transformação plástica. "Não se investe numa petroquímica só para exportar. Somos mais de 9 mil empresas compradoras, é preciso valorizar o mercado interno e criar melhores condições de negócios", concluiu Cachum.

A nafta, principal matéria-prima da petroquímica, quebrou a barreira de US$ 700 por tonelada e essa alta terá reflexos em todos os elos da cadeia produtiva do setor. Pela previsão dos fabricantes de produtos plásticos, que compram resinas produzidas a partir da nafta, o aumento do produto, que neste ano já supera 27%, será repassado a seus clientes, que incluem empresas do porte da Nestlé e da General Motors.

Com a cotação do barril de petróleo na casa dos US$ 80, o preço da nafta petroquímica deverá ter novos reajustes. O produto iniciou o ano cotado a US$ 550 por tonelada. Há meses, as petroquímicas brasileiras tentam negociar com a Petrobras a redução do preço do insumo, mas até agora não tiveram sucesso. A estatal é a única fornecedora de nafta petroquímica no País.

Para Sinclair Fittipaldi, da Suzano Petroquímica, com o aumento do petróleo, "é natural e legítimo um pleito de aumento de preços por parte da cadeia petroquímica". Ele lembrou que no segundo semestre cresce a demanda por resinas plásticas e que há estreitamento na relação de oferta e demanda.

A associação dos transformadores de plástico da Europa prevê que as resinas petroquímicas terão reajustes de 15% a 20% nos próximos seis meses. De acordo com Merheg Cachum, presidente da Associação Brasileira da Indústria do Plástico, as empresas do setor não têm condições de absorver mais um aumento de preço das resinas. "Teremos de repassar aos clientes. O volume está em nível adequado, mas nossa lucratividade é quase zero. Não seria um aumento de preço, mas uma atualização", garante.(Fonte: DCI)