Braskem prevê ciclo de baixa mundial para o setor
30/08/2007

A indústria petroquímica brasileira deve enfrentar um "desconforto momentâneo" com a entrada das novas fábricas de resinas no Oriente Médio, avaliou o diretor de mercados internacionais da Braskem, Walmir Soller.

O executivo prevê que o ciclo de baixa não deve durar mais do que um ano a um ano e meio a depender do comportamento da demanda mundial. Soller afirmou que os primeiros sinais deste período (com margens mais apertadas) devem aparecer em 2009 com o impacto mais provável em 2010.

Ele disse que a demanda mundial por resinas está crescendo 5% a 6% ao ano, sobre um nível de 100 milhões de toneladas por ano. Embora os novos projetos vão adicionar até 10 milhões de toneladas por ano no mercado, ele disse que a demanda continuará crescendo bastante para absorver a oferta adicional. "Ocorrerá apenas uma oferta pontual", disse.

As novas fábricas do Oriente Médio estão atrasadas. "O impacto do ciclo era para acontecer já em 2008", disse, citando o exemplo de uma empresa do Irã que já finalizou a unidade de resinas sem concluir ao mesmo tempo a unidade de craqueamento (que produz a matéria-prima).

Soller explicou que o objetivo das novas unidades do Oriente Médio é abastecer principalmente a Ásia e a Europa, o que não deve afetar diretamente as vendas das petroquímicas brasileiras. "A demanda na Ásia cresce muito e não há novos projetos na Europa com custos competitivos", afirmou o executivo, que participou de seminário do IBC sobre petroquímica.

O executivo da Braskem citou o dado de que a Sinopec, empresa da China, possui capacidade para produzir 8,7 milhões de toneladas (mais do que o dobro da capacidade da Braskem no ano passado). Mas a demanda chinesa representa mais de 38 milhões de toneladas por ano, o que permite acomodar a oferta mundial.

Levando em conta a possibilidade de concorrência com produtores do Oriente Médio, a Braskem focará em resinas especiais na Europa, que hoje representam apenas 30% de suas exportações ao continente. "Vamos atender só especialidades ou alguma demanda pontual de produto." Em 2006, a Braskem exportou US$ 1,4 bilhão.

Para o executivo, a alternativa do Brasil é fornecer aos mercados americanos. "Não existem novas adições de capacidades competitivas abaixo da linha do Equador", disse, citando os projetos da Braskem na Venezuela. "Por questões geográficas, estamos longe da rota do Oriente Médio. Ele minimizou eventual enxurrada de produtos importados na região. (Fonte: Valor Econômico)