Petroquímica ganha espaço entre prioridades da Petrobras
30/08/2007

O presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, garantiu ontem em São Paulo que a demanda por derivados de petróleo vai mudar nos próximos anos, com maior consumo pela cadeia petroquímica e não mais por veículos. Ele disse que, com essa perspectiva, a companhia mudou o foco de seus investimentos, voltando-se mais para o setor petroquímico, além de energia limpa.

Na previsão de Gabrielli, a participação da gasolina na matriz de combustíveis do País, que é de 60%, cairá para 44% em 2009.

"Há duas coisas importantes no futuro do setor petroquímico: a integração dos processos e o tamanho da empresa. Para se manter, será necessário ter essas duas qualidades. Seria ótimo se o setor privado fizesse isso", afirmou o presidente da Petrobras.

Também ontem, o diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, disse no Rio de Janeiro que a estatal pode rever o preço da nafta, conforme pedido encaminhado pela Braskem há cerca de uma semana. A cotação do insumo está em alta tanto no mercado interno quanto no internacional.

Braskem pode retirar oferta

A Braskem informou ontem que foi comunicada pela Copesul da realização de assembléia especial da empresa gaúcha para decidir sobre a necessidade de nova avaliação da companhia. A Copesul.

O preço de aquisição proposto pela Braskem foi de R$ 37,60 por ação ordinária da Copesul. A transação faz parte das negociações de venda do Grupo Ipiranga para a companhia, em associação com a Petrobras e o Grupo Ultra.

De acordo com a Braskem, se assembléia dos acionistas da Copesul decidir pela não realização de nova avaliação ou se, depois de feita a reavaliação, o valor for igual ou inferior à proposta inicial, o preço será mantido. Se o preço for maior, no entanto, a Braskem lembra que "terá a faculdade de desistir" da oferta.

Para empresas do setor, se a desistência for confirmada, as negociações para aquisição da Ipiranga estarão em risco e podem ser paralisadas.

Obstáculo no Comperj

O Comperj (Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro), com início de operação previsto para 2012 e orçado em US$ 8,3 bilhões, terá na estrutura acionária um obstáculo a ser enfrentado, porque, o complexo deve ter o controle majoritário não mãos do setor privado, de acordo com o modelo proposto entre Petrobras e empresas.

De acordo com José Lima de Andrade Neto, presidente da Petroquisa (braço petroquímico da Petrobras), o projeto está evoluindo com as regulamentações ambientais, definição da tecnologia e capacitação de funcionários. Porém, o entrave está no modelo societário.

"O projeto está avançando, o grande desafio é a estrutura societária para que fique de pé o modelo proposto para a petroquímica brasileira [modelo que dá o controle majoritário ao setor privado]. Como uma empresa privada vai ser majoritária num projeto de US$ 8,3 bilhões?", ressaltou Lima.

Um dos modelos estruturais que podem ser aplicados no projeto é a Petrobras ficar como controladora da refinaria petroquímica (primeira geração), viabilizando assim a entrada de sócios privados na produção de resinas (segunda geração). Segundo Lima, o setor de utilidades do complexo pode ter a participação do setor privado também.

"Este modelo é novo no País, mas é muito utilizado no mundo. Estamos discutindo a possibilidade do setor privado estar inserido no fornecimento de utilidades para o Comperj, como vapor, água, eletricidade", explicou Lima.

De acordo com Lima, o modelo de estrutura acionária deve ser definido até o final deste ano. "O projeto está dentro do cronograma previsto. Já temos 90% do terreno, desenho do parque fabril e selecionamos, recentemente, 3 mil pessoas para trabalho na obra e administração", anunciou o presidente da Petroquisa.

Segundo Lima, a Petrobras irá utilizar uma inovação tecnológica na refinaria do Comperj. A novidade é o craqueamento de petróleo pesado em propeno e eteno. "Já certificamos este craqueamento para produzir eteno e propeno a partir de óleo pesado. Esse foi o motivo no qual fez com que a Petrobras acreditasse no projeto", afirmou o executivo.

A indústria petroquímica importa mais de 30% da nafta que consome para produzir eteno e propeno, isso porque o petróleo pesado extraído das bacias petrolíferas brasileiras não gera uma nafta de boa qualidade para a indústria petroquímica. O Comperj vai focar na produção de resinas plásticas básicas. (Fonte: DCI)