Braskem investe mais em resina verde
30/08/2007

Depois de desenvolver o primeiro polietileno (resina plástica) verde certificado do mundo, produzido a partir de eteno que resulta do álcool da cana-de-açúcar, a Braskem parte agora na busca do propeno (matéria-prima hoje tirada do petróleo) a base de etanol para também ter um polipropileno produzido com matéria-prima renovável, disse ontem o presidente da empresa, José Caros Grubisich. A unidade-piloto dessa nova operação deve receber US$ 5 milhões, segundo estimativas do mercado.

Ainda cauteloso, o presidente da Braskem prefere não dar prazo para o lançamento do produto hoje sendo testado no Centro de Tecnologia e Inovação de Triunfo (RS). "É um desafio tecnológico maior. Ainda precisamos encontrar um processo economicamente viável", disse Grubisich. Mais otimista é o responsável pela área de Biopolímeros da companhia, Antonio Morschbacker, que prevê a decisão de construir a unidade-piloto para produzir o gás propeno de álcool em um ano e mais seis meses. "Queremos que todo o portfólio da Braskem tenha a opção de matéria-prima renovável", completou o diretor de Inovação e Tecnologia da Braskem, Luís Fernando Cassinelli.

A Braskem apresentou, em junho, o polietileno produzido a partir do álcool e espera para o final de 2009 o início da produção em escala industrial. A idéia é a de construir, até o final da década, uma unidade de eteno de álcool com capacidade para até 200 mil toneladas ao ano e outra de polietileno também para 200 mil toneladas ao ano. O investimento será entre US$ 100 milhões e US$ 120 milhões. Segundo Grubisich, ainda não está decidido o local que receberá as unidades, mas conforme Grubisich as possibilidades mais forte são Triunfo e Camaçari (BA).

"Hoje retirar CO2 é mais importante do que ser biodegradável", disse Cassinelli, referindo-se ao plástico verde. Ele diz isso porque o plástico feito a partir de álcool não se torna biodegradável, como pensa o público no primeiro contato com a informação. É na eliminação de dióxido de carbono Pelos cálculos da empresa, com uma unidade de 200 mil toneladas, que consumirá um volume de cana-de-açúcar estimado em 5 milhões de toneladas anuais, serão retirados da atmosfera 620 mil toneladas/ano de CO2. No futuro a empresa pretende ainda verticalizar o processo, plantando a própria cana ou então buscando a produção da controladora Odebrecht, que já anunciou a intenção de entrar no mercado de etanol.

Cassinelli admite que o polietileno verde chegará ao mercado a um preço até 30% acima da resina convencional, mas deve conquistar mercado com transformadores e clientes que percebam o valor agregado da inovação. Entre os nichos vislumbrados estão o de embalagens de cosméticos e de alimentos. A Braskem acredita ainda que, até 2015, entre 10% e 20% do mercado global de plástico utilize matérias-primas renováveis. "A nossa participação pode ser maior", acredita Cassinelli.
Centro de tecnologia

O Centro de Tecnologia e Inovação de Triunfo recebe 90% dos recursos aplicados em pesquisa pela empresa, montante que este ano chega a R$ 50 milhões. Dos R$ 330 milhões em ativos de tecnologia para inovação da empresa, R$ 300 mil estão em Triunfo, com oito unidades-piloto e 11 laboratórios. Segundo Grubisich, 20% do faturamento da empresa vem hoje de produtos desenvolvidos nos últimos três anos, 80% deles em Triunfo. O centro trabalha ainda em outras linhas de pesquisa como fibras de alto desempenho e nanotecnologia, sendo a primeira petroquímica da América Latina a ter uma patente na área. (Fonte: Gazeta Mercantil)