Setor plástico vira balcão de negócios
27/08/2007

A concorrência dos produtos importados e o aumento das exigências de mercado estão levando as fabricantes nacionais de peças e embalagens de plástico a uma maior profissionalização e, em alguns casos, a um processo acelerado de fusões e aquisições.

Atualmente, o setor é representado no País por cerca de 8.800 indústrias, que somam quase 270 mil empregos. Segundo o presidente da Abiplast (Associação Brasileira da Indústria do Plástico), Merheg Cachum, é um número muito grande de empresas, se comparado aos mercados europeu e americano.

Ele acredita que o processo de consolidação, com fusões e aquisições, é uma tendência no segmento, embora não no curto prazo. “E deverá fortalecer as empresas”, avalia.

Otávio Carvalho, diretor da consultoria Maxiquim, avalia que para algumas áreas há mais espaço para que haja fusões entre empresas, mas que de modo geral a busca atual é por gestões mais profissionais. O consultor observa que na indústria petroquímica, o volume de produção é vital para garantir a competitividade, e que o movimento (aquisição da Suzano Petroquímica pela Petrobras, por exemplo) de concentração deverá proporcionar maior capacidade de investimentos. “Já o setor plástico, formado em grande parte por micro e pequenas indústrias, não depende de grande montante de capital”, ressalta.

CONCENTRAÇÃO
A consolidação não é generalizada mas também ocorre, no setor plástico, em ramos cujos produtos têm baixo valor agregado e que demandam grandes volumes.

Um caso recente foi a compra da fabricante de embalagens Globalpack pela Sinimplast, de Diadema. Segundo esta empresa, novas aquisições não estão descartadas.

Outro exemplo é a área de filmes plásticos flexíveis BOPP (polipropileno bi-orientado) dominada no País por duas empresas, a Vitopel, que tem fábrica em Mauá, e a Apolo Filmes. A Vitopel adquiriu há dois anos a Votocel, pertencente ao grupo Votorantim.
Concorrência crescente leva a mudanças

Para empresários da indústria do plástico do Grande ABC, a profissionalização hoje é uma necessidade imposta pelo mercado.

Para o diretor do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) de Santo André e também da fabricante de peças para veículos e máquinas agrícolas Resiplastic, de Mauá, José Jaime Salgueiro, a concorrência de produtos vindos da Ásia força as empresas a melhorar processos e a gestão dos negócios.

“Além disso, as montadoras de veículos buscam trabalhar com menor número de fornecedoras”, acrescenta. “Não existe mais espaço para amadores. É preciso ficar atento às perspectivas do mercado”, afirma o sócio-gerente da empresa de peças técnicas e materiais flexíveis Aplastec, de São Caetano, Jorge Luiz Serra.

O diretor da Ecoplas, de São Caetano, Claudio Armidoro, tem avaliação semelhante. Por conta dessa necessidade, ele cita que sua empresa, que já tem a ISO 9000, caminha para obter a norma TS (de qualidade na área automotiva). (Fonte: Diário do Grande ABC)