Basf e DuPont de olho no setor de cana
23/08/2007

As principais fabricantes de defensivos do País estão investindo fortemente no setor canavieiro, que passa por um momento de grande expansão.

De olho nesse mercado, empresas como Basf e DuPont investem no lançamento e na ampliação de linhas de produtos voltados exclusivamente para o setor canavieiro, como herbicidas, defensivos e produtos que melhoram o rendimento da cana para a produção de açúcar e álcool e inseticidas fisiológicos, que não afetam os inimigos naturais dos canaviais.

Para se ter uma idéia do potencial do setor, o mercado de defensivos agrícolas movimenta por ano, cerca de US$ 4 bilhões e a participação do setor canavieiro passou de menos de 10% na safra 2006/07 para os atuais 12,5%, devendo movimentar este ano cerca de US$ 500 milhões com a venda de defensivos específicos para essa cultura.

Esse crescimento ocorreu, principalmente, em função do aumento da área plantada em cerca de 7,4% no Centro-Sul e a instalação de mais de uma dezena de usinas.

Basf

Segundo a direção da Basf, líder do mercado de defensivos para cana com a marca Regent, a empresa vai investir R$ 4 milhões no lançamento da linha F-500, que tem um conceito fisiológico. "O produto, além de proteger os canaviais de pragas, melhora a qualidade da planta, influenciando no volume de Açúcar Total Recuperável (ATR) e na germinação", afirma Ademar De Geroni, gerente de Culturas Cana da Basf. Para a criação do produto foram feitos estudos em parceria com uma universidade e com o Centro Tecnologia Canavieiro (CTC). A nova linha deve chegar ao mercado até 2012.

Além disso, a Basf pretende lançar também uma linha específica para a cana crua, que é cortada por meio de máquinas e não necessita ser queimada - como acontece no corte manual.

"Com a mecanização o índice de infestação aumentou, por isso temos de ter produtos voltados para a nova realidade dos canaviais", afirma o executivo da Basf. Atualmente, 36% da área colhida com cana do Centro-Sul já é mecanizada.

A cana-de-açúcar é a segunda cultura mais importante na receita das vendas de defensivos da Basf, depois da soja.

Nos últimos dois anos, a participação desse segmento dobrou e, com os novos investimentos, o potencial é ainda maior. "Com a expansão das lavouras de cana, dentro de cinco a dez anos o setor pode até alcançar a posição da soja", afirma De Geroni.

No ano passado, a empresa vendeu o equivalente a 3,07 bilhões de euros, dos quais 529 milhões são provenientes da América do Sul, que tem o Brasil como o principal mercado.

DuPont

Diferentemente da Basf, a cana já é a principal cultura para as vendas de herbicidas da DuPont, que pretende entrar no segmento de defensivos com o lançamento de nematicidas e inseticidas para o setor.

Para se ter uma idéia da importância do setor para a DuPont, do total de investimentos previstos pela empresa, 40% serão destinados para o manejo da cana.

Em 2009, a DuPont pretende lançar um nematicida - controle de nematicidas, praga que ataca a raiz das plantas - específico para a cultura da cana-de-açúcar.

Em 2010, a empresa passa a atuar no segmento de inseticidas com uma fórmula exclusiva e que tem como diferencial, segundo a DuPont, o uso de doses reduzidas com eficiência, além de não ser tóxico a mamíferos.

Esse produto, denominado de Rynaxypyr, é um projeto global da empresa e não somente da divisão que atua no Brasil.

"Os investimentos no setor têm o objetivo de manter a DuPont como líder no segmento de produtos agrícolas para os canaviais brasileiros", afirma o gerente de Marketing para Cana da DuPont, Marcio Farah.

Além de novos produtos, a empresa também aposta no relançamento de um produto que já está há 20 anos no mercado e foi reformulado. Trata-se do Velpar K, líder do mercado de herbicidas.

Broca

Apesar de registrar crescimento de 10% na safra 2007/08 de cana-de-açúcar, em relação à produção anterior, o Centro-Sul - região que responde por 85% da safra nacional - enfrenta um índice de infestação de brocas (inseto que deposita larvas no interior da cana) acima do aceitável.

O índice de infestação de brocas nos canaviais do Centro-Sul está em 3,7%, e atinge a produção estimada em 410 milhões de toneladas, segundo dados divulgados pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica).

O índice aceitável para a cultura é de no máximo 2%, segundo o engenheiro agrônomo da Associação dos Plantadores de Cana do Oeste do Estado de São Paulo (Canaoeste), Gustavo Nogueira.

Em função do clima e de mudanças no manejo da cana, o índice de infestação vem crescendo e prejudicando a qualidade da matéria-prima. "Em algumas regiões produtoras de cana, o índice chega a 20%", afirma Nogueira. (Fonte: DCI)