Oriente Médio e Ásia assustam a petroquímica
23/08/2007

Os projetos petroquímicos em fase final do Oriente Médio e da Ásia vão aumentar em 34 milhões de toneladas a produção de eteno (matéria-prima básica para a cadeia petroquímica), totalizando uma capacidade produtiva de 84 milhões de toneladas do insumo até 2011 - cerca de 80% dessa nova produção será utilizada para produção da resina plástica polietileno.

Essas previsões assustam empresas do setor no Brasil e a Petrobras (leia texto ao lado), que temem a invasão desses produtos, que prometem tomar conta do mercado global.

Com esse crescimento, haverá uma produção adicional de 27 milhões de toneladas de polietileno no mercado mundial, com um baixo custo de produção devido à abundância de gás natural (matéria-prima para produção de eteno) no Oriente Médio.

Segundo Otávio Carvalho, sócio-diretor da Maxiquim (consultoria especializada no setor petroquímico), os projetos da Ásia e Oriente Médio podem resultar em queda dos preços das resinas plásticas no mundo. "Os projetos petroquímicos da Ásia, Oriente Médio e também do norte da África vão gerar uma oferta extra de produtos petroquímicos, sobretudo de polietileno, no mercado mundial. Isto costuma trazer uma queda nas margens de preço destes produtos", afirmou.

Para o Walmir Soller, diretor de Mercados Internacionais da Braskem, esta queda de preço é improvável diante do aumento proporcional da demanda por resinas. "O preço está relacionado com oferta e demanda. A princípio, o balanço ficará nivelado. Não vejo tendência sustentável de queda nos preços", afirmou.
O peso da China

Grande parte deste aumento na produção de resinas do Oriente Médio será destinada à produção de manufaturados plásticos na China. Mas o diretor da Maxiquim lembra que, o governo chinês também está investindo em projetos petroquímicos, podendo resultar na diminuição das importações chinesas. "É muito provável que esta produção do Oriente atinja países da América do Sul", comentou Carvalho.

Para Soller, da Braskem, no entanto, estas capacidades adicionais, principalmente do Oriente Médio, vão se anular com o crescimento proporcional da demanda. "O aumento de consumo de resinas nos próximos anos será monstruoso. Esta produção [Oriente Médio] seguirá para Europa e Ásia, essas regiões serão grandes importadoras de resinas nos próximos anos. Até porque muitas plantas (petroquímicas) da Europa não têm mais escala para competir neste novo ambiente petroquímico mundial", afirmou o diretor da Braskem.

Soller lembra a logística geográfica dificulta as exportações de resinas do Oriente para a América do Sul. "Os projetos estão voltados para atender o eixo Oriente Médio - Ásia. Somado a isso, têm as dificuldades de disponibilidade de contêineres e o fluxo de navios", destacou.

De acordo com o diretor da Braskem, a prioridade da empresa é a América do Sul. Mas os possíveis atrasos nos projetos do Oriente Médio geram possibilidade de iniciar uma ofensiva na Ásia. "Temos operações na América do Norte e Europa, mas nosso foco primário é a América do Sul. Os projetos do Oriente Médio estão acontecendo simultaneamente, com isso há possibilidade de mais atraso em virtude da escassez de equipamentos e pessoas especializadas. A Ásia pode ser uma alternativa interessante [para a Braskem]", afirma.

Produção de polietileno

O Brasil produziu 2,3 milhões de toneladas de polietileno, e exportou 774 mil toneladas (mais de 30% da produção total).

Já no primeiro semestre deste ano, as exportações de polietileno foram de 522 mil toneladas, resultando em negócios de US$663 milhões.(Fonte: DCI)