Venda da Suzano beneficia acionistas da Petroflex
20/08/2007

A venda da Suzano Petroquímica não resultou em um gordo cheque apenas à família Feffer, controladora da empresa. Por incrível que pareça, as rivais Braskem e Unipar também devem tirar benefício indireto da transferência do controle da petroquímica à Petrobras.

As duas empresas deverão obter ganho extra de pelo menos 20% com venda da Petroflex, a fabricante de borracha sintética, utilizada em variados produtos como pneus a chicletes, cujo controle está sendo negociado nos últimos meses. Segundo apurou o Valor com pessoas ligadas à negociação, a expectativa é que o controle da fabricante de borracha seja alienado por cerca de R$ 750 milhões.

Para obter o ganho adicional, Braskem e Unipar vão aproveitar do direito de preferência na compra das ações que pertenciam à Suzano na Petroflex pelo valor patrimonial - e não pelo valor de venda do controle. A Braskem gastará cerca de R$ 60 milhões para aumentar sua fatia de 20% para 33,5%. A Unipar vai tirar metade disso do bolso para elevar sua participação na companhia dos atuais 10% para 16,5%.

Ao aumentar suas participações na Petroflex, os controladores vão se beneficiar do critério fixado pelo acordo de acionistas, pagando um valor abaixo pelas ações daquele em que pretendem vendê-las posteriormente. Pelo critério, se algum dos sócios decidir alienar o controle (como foi o caso da Suzano), os demais acionistas podem exercer o direito de preferência sobre as ações deste controlador com base no valor patrimonial da empresa. Pelo valor patrimonial, a Petroflex valia R$ 446 milhões em 30 de junho.

Na semana passada, Braskem e Unipar anunciaram ao mercado a decisão de exercer seu direito de preferência. Com 20% das ações da Petroflex, a Braskem receberia por volta de R$ 150 milhões quando a empresa fosse vendida. Ao deter 33% da Petroflex, a petroquímica embolsará cerca de R$ 250 milhões por sua fatia. Descontados os R$ 60 milhões pagos pelo exercício do direito de preferência, a diferença resulta em um ganho de quase 20% à Braskem na hora em que for concretizada a venda da Petroflex. O mesmo raciocínio vale para as ações da Unipar, que deve receber cerca de R$ 125 milhões pelo total de suas ações na Petroflex.

Segundo apurou o Valor, na semana passada um membro da família Feffer tentou que Braskem e Unipar abrissem mão do direito de exercício pelo valor patrimonial. Com isso, viria a auferir um ganho extra da ordem de US$ 30 milhões. Os ex-sócios da Suzano na Petroflex não aceitaram a proposta.

A Unipar já sinalizou que não pretende oferecer esse ativo na composição da Companhia Petroquímica do Sudeste, empresa que resultará na união dos seus ativos com as atividades petroquímicas adquiridas pela Petrobras com a compra da Suzano. Com a venda da Petroflex, a expectativa é que a Unipar reforce o caixa. (Fonte: Valor Econômico)