Unipar não prevê grande aporte de capital
16/08/2007

A Unipar não vê necessidade de grande aporte de capital para deter posição de controle na futura Companhia Petroquímica do Sudeste (CPS), que unirá os ativos da família Geyer às atividades petroquímicas da Petrobras. "Não é preciso uma grande alavancagem de recursos financeiros para constituir a empresa face ao tamanho dos nossos ativos", afirmou o presidente da Unipar, Roberto Garcia.

Em seu raciocínio, o executivo não leva apenas em conta o movimento do exercício de direito de preferência que a Unipar fará em suas participações, mas também considera os investimentos em curso. As empresas ligadas à família Geyer estão aplicando R$ 2,29 bilhões entre 2006 e 2009. Deste total, R$ 1,65 bilhão está sendo investido nas empresas onde a Unipar tem controle majoritário (Petroquímica União) ou integral (Polietilenos União).

"As obras estão avançadas e vão entrar na composição do novo bloco", afirmou Garcia. A partir do terceiro trimestre de 2008, esses dois investimentos vão se materializar, gerando mais caixa à Unipar. A previsão é que a receita líquida da Unipar aumente 110% até 2009, na comparação com 2005, que alcançou R$ 2,3 bilhões.

A Unipar deve capturar ainda sinergias com as operações recém-compradas. Um exemplo é a meta de redução em 15% nos custos das operações da fábrica de Cubatão, que pertencia à Dow e foi agregada aos ativos da Polietilenos União.

A Unipar e a Petrobras dão início hoje a definição do plano que resultará na formação da CPS. As duas empresas já acertaram que a nova companhia terá o controle da Unipar, sendo que a estatal será uma "minoritária relevante". A Unipar espera ter 60% do controle. Em paralelo, ambas as empresas vão combinar também as regras do acordo de acionista. Segundo o vice-presidente da Unipar, Vítor Mallmann, a nova empresa não precisará de quórum qualificado para a tomada investimentos. "Mas tudo vai ser negociado."

Até a configuração final da nova sociedade, a Unipar irá exercer seu direito de preferência na PQU (de 55% do capital total para cerca de 60%), na Rio Polímeros (de 33% para no mínimo 50%) e na Petroflex (dos atuais 10% para 16%). Nestas operações, a empresa espera gastar no mínimo US$ 100 milhões.

Embora a Unipar não irá oferecer sua fatia na Petroflex para compor o capital da CPS, a intenção dos acionistas é exercer assim mesmo seu direito de preferência. Isso porque a Unipar poderá elevar sua fatia na fabricante de borracha sintética pelo valor patrimonial das suas ações. Assim, poderá obter um recurso adicional quando o controle da Petroflex, que está sendo negociado, for vendido.

No segundo trimestre, a Unipar teve lucro de R$ 41 milhões, valor praticamente similar aos dos dois trimestres anteriores. A dívida líquida subiu 33%, para R$ 1,45 bilhão, fazendo com que a relação entre endividamento e geração caixa aumentasse 17%, para 3,7 vezes. Ao considerar a geração de caixa com as participações já adquiridas, essa relação cai para 3 vezes.

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, Luciano Coutinho, afirmou que o banco poderá entrar no capital da nova empresa. "O BNDES, como sempre, estará à disposição do setor privado para que ele seja bem-sucedido, mas até o momento não fomos procurados pelas empresas", disse.(Fonte: Valor Econômico)