Unipar reverte prejuízo e lucra R$ 41 milhões
16/08/2007

A União de Indústrias Petroquímicas (Unipar) - que anunciou ontem um lucro líquido de R$ 41,1 milhões no segundo trimestre deste ano, revertendo prejuízo de R$ 66 mil registrado em igual período de 2006 - assegurou ontem que não haverá problemas de caixa para garantir o seu primeiro passo na consolidação, o exercício de seus direitos de preferência sobre os ativos da Suzano Petroquímica, recém-comprados pela Petrobras. "Sempre existe dinheiro para um bom projeto", disse o presidente da Unipar, Roberto Garcia durante reunião da Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec). O executivo disse que já há vários bancos oferecendo os cerca de R$ 200 milhões que a empresa necessita. A maior parte dos recursos, até R$ 80 milhões, irão para aumentar a participação da Unipar na Rio Polímeros. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) confirmou ontem que também tornará disponível uma linha de crédito para a Unipar (ver matéria na página 5).

Para a consolidação, será preciso juntar todos os ativos que a Petrobras adquiriu da Suzano com os da Unipar e assim fazer o arranjo para a criação da Companhia Petroquímica do Sudeste (CPS).

A intenção é que a Unipar tenha 60% da CPS e que a participação estatal seja minoritária. Para isso, a Unipar deverá exercer seus direitos de preferência nos ativos da Suzano, nos quais também tinha participação. Estes ativos são a Central Gás Química Rio Polímeros (Riopol), a central de matérias-primas Petroquímica União (PQU), a produtora de resina de polietileno (PE) Polietilenos União e também na Petroflex. Depois disso, no "bolo" de ativos final caso a Unipar não chegue a 60% então terá de adquirir ativos da Petrobras para completar o que falta para chegar a este percentual.

Segundo Garcia, somente na Rio Polímeros a empresa deve gastar até R$ 80 milhões. A RioPol tinha como sócios a Unipar e Suzano (ambas 33,3%), Petrobras (16,7%), BNDESpar (16,7%). A Unipar deve ficar, segundo seu presidente, com 50% do capital da Riopol. Ele salientou, entretanto, que o percentual pode ser maior caso o braço de participações do BNDES abra mão de seu direito de preferência sobre os ativos da Suzano na Rio Polímeros.

A avaliação dos ativos da Unipar no Sudeste, que será feita pelo UBS Pactual nos próximos 60 a 90 dias seguirá a avaliação feita pelos ativos da Suzano, dos quais a Petrobras pagou quase 100% de ágio no início do mês.

"A avaliação será feita com a mesma régua", disse o vice-presidente da Unipar, Vítor Mallmann. Sobre a entrada de outro grupo no negócio, Roberto Garcia disse que poderá analisar propostas de interessados, mas por enquanto o negócio ocorre apenas somente entre a Unipar e Petrobras.

Desempenho

Os aumentos de preços e o aquecimento nas vendas do mercado interno melhoraram os resultados da companhia. A receita líquida do segundo trimestre cresceu 18,4%, de R$ 596,1 milhões para R$ 706,2 milhões. O Ebitda, que mede a geração de caixa da empresa, foi 84% maior e alcançou R$ 105 milhões. (Fonte: Gazeta Mercantil)