Roriz não prevê favorecimento à região Sudeste
13/08/2007

A compra da Suzano Petroquímica pela Petrobras anunciada na última sexta-feira não deverá alterar a relação de fornecimento de insumos básicos por parte da estatal para a outra grande empresa do setor, a Braskem. A preocupação levantada ontem pelo presidente da Braskem, José Carlos Grubisich, foi descartada pelo presidente reeleito do Sindicato da Indústria de Resinas Plásticas (Siresp) e atual co-presidente da Suzano, José Ricardo Roriz Coelho.

"Antes da operação da semana passada, a Petrobras não era sócia da Suzano e nem por isso a companhia acreditava que era prejudicada em relação às demais empresas", disse Roriz. Para o executivo, a presença da Petrobras na petroquímica brasileira fortalece o setor no mercado externo, que ficará ainda mais competitivo nos próximos anos com a entrada em operação de projetos na região do Oriente Médio.

Ao analisar a consolidação da petroquímica nacional, o presidente do Siresp destacou que a aquisição da Suzano pela Petrobras ajuda a desatar um nó no setor. "Agora está mais fácil a formação de uma grande petroquímica na região Sudeste", disse. Essa grande empresa deverá sair da união de ativos da Unipar, que também concentra seus ativos nesta região, e da Petrobras, além do capital de outras partes interessadas, como fundos de investimento ou o próprio BNDES.

Roriz também aproveitou a cerimônia de posse da nova diretoria do Siresp, entidade da qual é presidente há quatro anos e permanecerá à frente até 2010, para ressaltar que a aquisição da Suzano pela Petrobras foi discutida no meio das negociações para definir o modelo da petroquímica que controlaria o setor no Sudeste. "A Suzano buscou todos os caminhos para definir esta operação e, no meio dessa busca, o negócio com a Petrobras acabou sendo fechado", disse.

Roriz não quis detalhar quais foram os problemas que impediram um acerto entre Suzano e Unipar para a formação de uma grande empresa privada no Sudeste, mas fontes do mercado petroquímico confirmam que o impasse foi criado devido às diferentes análises dessas empresas sobre os ativos do eventual parceiro.

O executivo também não quis entrar em polêmica com relação ao preço pago à Suzano pela Petrobras, classificando o montante como "um negócio justo". Agora, o reeleito presidente do Siresp dará prioridade para a mudança do comando da Suzano para a Petrobras, durante um período de 90 dias. Posteriormente, ele analisará quais serão seus próximos passos no setor. Uma das opções, não confirmada por ele, seria assumir um cargo dentro da própria Petrobras. (Fonte:InvestNews)