Chile quer aprender com Brasil a produzir biodiesel
09/08/2007

Atrás do objetivo fixado pela presidente Michelle Bachelet de reduzir a dependência do Chile de energia importada, o ministro de Energia do país andino, Marcelo Tokman, visitou ontem autoridades do governo brasileiro em busca de parcerias.

Segundo Tokman, as conversas estão ainda em estágio inicial, mas o Chile quer aprender com o Brasil a produzir biodiesel. Pretende também ouvir as experiências brasileiras na produção da energia nuclear e importar etanol.
"Há uma decisão política tomada para reduzir ao máximo o risco dessa dependência. Por depender das importações, ficamos expostos a flutuações de preço", disse o ministro chileno.

O governo chileno colocou em consulta pública um projeto de lei que permite a mistura de 5% de biodiesel no diesel e de 5% de etanol na gasolina. A regra será editada no mês que vem e vai criar um mercado de 600 mil metros cúbicos por dia de biocombustíveis.

Para incentivar a mistura, os biocombustíveis serão isentos de impostos, os quais representam 40% do preço da gasolina e 12% do preço do diesel. O governo chileno também vai subsidiar a produção de biodiesel com linhas de financiamento que totalizam US$ 10 milhões.

O Chile pretende importar etanol, mas produzir biodiesel a partir de celulose, algas marinhas, pinhão manso e outras oleaginosas. Com a parceria com o governo brasileiro, o Chile pretende aprender como armazenar e distribuir biocombustíveis, além de dar segurança aos consumidores.

O ministro se encontrou com o ministro interino de Minas e Energia, Nelson Hubner e se reuniu também com autoridades de outros ministérios, institutos de pesquisa e representantes dos produtores de biodiesel. Hoje, ele se encontra com executivos da Petrobras no Rio, de onde segue para São Paulo. O Chile tem interesse em aprender com a estatal brasileira técnicas para o refino dos biocombustíveis.

Bachelet criou uma comissão para energia nuclear, que o país não produz. Dois terços da energia consumida no Chile são importados. As principais fontes da matriz energética chilena são o petróleo (99% é importado), carvão (80% importado) e gás natural (65% comprados do exterior). O único fornecedor de gás do Chile é a Argentina, que passa por uma crise de abastecimento. A Argentina tem contrato de fornecimento de até 22 milhões de m de gás natural por dia para o Chile. Por conta do racionamento, no entanto, tem vendido 500 mil m diários do combustível ao país vizinho. (Fonte: Gazeta Mercantil)