Chávez critica atraso na obra de refinaria no Recife
09/08/2007

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, criticou ontem a demora na construção da refinaria que a estatal venezuelana PDVSA e a Petrobrás farão em parceria no Recife (PE). A pedra fundamental foi lançada em dezembro de 2005. ''''Isso me dá vergonha, a construção já deveria ter começado'''', disse Chávez durante visita de menos de 24 horas à Argentina. O investimento, compartilhado, é de US$ 2,5 bilhões e a previsão era de que a refinaria iniciasse as operações em 2011.

Chávez também afirmou que pretende ''''construir ou comprar uma refinaria'''' na Argentina. Na véspera, assinou um acordo com o presidente Néstor Kirchner que estipula o investimento de US$ 400 milhões em uma usina de regaseificação de gás natural líquido no país.

O presidente venezuelano se referiu ainda à polêmica sobre a filial brasileira da Bariven, divisão da PDVSA encarregada de compras e serviços para a indústria petrolífera, que será transferida de São Paulo para Buenos Aires.

Nos últimos dias, houve rumores de que o motivo da transferência eram os conflitos de Chávez com industriais de São Paulo. Em declarações ao jornal Clarín, ele relativizou o caso. ''''A Bariven é um escritório de compras e está sendo instalada em diversos países, em alguns de forma mais rápida que em outros.''''

Chávez encerrou a visita à Argentina com o anúncio da compra de US$ 500 milhões em bônus da dívida externa do país e a promessa de aumentar esse valor para US$ 1 milhão nos próximos meses. Os argentinos vão pagar juros de 10,6%.

Lideranças da oposição e colunistas econômicos consideraram a taxa alta. Irritado, Chávez negou que havia imposto a taxa. ''''A Venezuela não impõe os juros. A imprensa que afirma isso é lacaia do imperialismo.''''

Chávez ainda assinou acordos de cooperação com o Instituto Nacional de Tecnologia Industrial (Inti). ''''Queria ter tido mais tempo na Argentina'''', lamentou ele. Essa foi a sua mais breve visita a Buenos Aires, de menos de 24 horas.

Sua partida para o Uruguai estava marcada para 15h30, mas ele prolongou a estadia na Argentina até o início da noite em razão de uma longa entrevista coletiva na qual criticou os Estados Unidos e defendeu a integração latino-americana. Para ele, o ''''império americano'''' está ''''fazendo o possível para que a gente não se una. Os Estados Unidos não gostam de Kirchner nem de Chávez'''', disse ele.

Segundo ele, a Argentina está se libertando do Conde Drácula (EUA) e rompendo as cadeias que a prendiam ao Fundo Monetário Internacional. ''''Estamos ajudando a Argentina com esforço. A Venezuela não é um país rico, mas compartilhamos a esperança e a fé.''''

O presidente também lamentou o congelamento do projeto do Gasoduto do Sul na parte brasileira. ''''O gasoduto avança no trecho que liga Bolívia e Argentina. Mas o trecho que atravessaria o Brasil foi brecado'''', disse. ''''Nunca dissemos que o caminho da união seria fácil. Mas venceremos esses obstáculos.''''

Chávez tentou contemporizar ao ser perguntado se tinha melhor relação com a Argentina do que com o Brasil e não citou a briga com o Senado brasileiro. ''''Não, não, nós temos um entendimento ótimo. É que existem outras forças que se movimentam: Washington.''''

Kirchner declarou apoio à adesão da Venezuela no Mercosul, hoje à espera da aprovação do Senado brasileiro e do Congresso do Paraguai. ''''Acreditamos firmemente na consolidação do Mercosul. A contribuição da Venezuela é muito importante, mais além do conteúdo ideológico de cada país. Nós, argentinos, o respeitamos'''', disse Kirchner.

Chávez seguiu para Montevidéu para pedir o apoio do presidente Tabaré Vázquez para remover as barreiras que impedem a entrada de seu país no Mercosul. O governo uruguaio aprovou a adesão em 2006, mas está dividido sobre interceder ante o Senado brasileiro para destravar a aprovação.
(Fonte: O Estado de S. Paulo)