Discurso de Posse do Presidente do Siresp Triênio 2007-2010
09/08/2007

Boa noite Presidente da Fiesp Paulo Skaf, diretores da Fiesp, presidentes de sindicatos, associações, colegas de diretoria do Siresp, representantes da indústria do Plástico, jornalistas, empresários, autoridades, prefeitos e representantes, senhoras e senhores....

Agradeço a presença de todos para a posse da nova diretoria do Siresp eleita para o triênio 2007-2010.

Fundado em 1953, o Siresp tem no seu quadro de associados a quase totalidade das empresas produtoras de resinas termoplásticas no Brasil.

Trata-se de um setor com capacidade instalada superior a 4,5 milhões de toneladas anuais, exportamos mais de 600 milhões de dólares ano e com faturamento previsto acima 30 bilhões de reais em 2007.
- Somos uma indústria forte, com faturamento expressivo, em processo de evolução contínuo, com investimentos em ampliação da produção e também em novos mercados.

A indústria de produção de Resinas é caracterizada por ser de capital intensivo, força de trabalho altamente qualificada, tecnologia de ponta e grande indutor de mão-de-obra, ao fornecer matéria-prima para indústria de transformação plástica, que por sua vez é responsável pela geração de aproximadamente 310.000 empregos diretos.

Nossos produtos estão nos mais variados segmentos da economia em aplicações que sempre buscam oferecer praticidade, bem-estar e qualidade de vida para as pessoas.

- A indústria do plástico é uma indústria que faz indústria. Nossos produtos participam diretamente de vários segmentos da economia e nossa presença está no dia-a-dia das pessoas, desde a hora em que acordam até os momentos em que vão dormir.

De 1990 até hoje o consumo de resinas Termoplásticas no Brasil cresceu de cerca de 1,4 Milhões de tons ano para mais de 4,2 milhões de tons/ano, variação superior a 186 %, enquanto que neste mesmo período a população aumentou em 27,5 %. Isto representa um salto no consumo per capta de 10,1 para 22 kg/hab/ano variando em mais de 117 %.

No segmento de embalagens plásticas, por exemplo, que é o mais representativo do nosso setor, o consumo aumentou 36 % nos últimos 7 anos, enquanto que os demais materiais tiveram crescimento de apenas 11% neste mesmo período.

O Plástico por ser até então uma novidade quase que cresceu naturalmente durante o período citado. As forças que dirigiam os nossos negócios vinham do mercado Americano e Europeu, onde eram desenvolvidas as grandes novidades na indústria de resinas e de tranformação, mas hoje nos deparamos com desafios de naturezas diferentes como: concorrência com materiais sucedaneos, imagem do Plástico, adequação a normas, apelos ambientais, alto preço do petróleo, excesso de oferta, concorrência com países asiáticos, distribuição adequada de margem ao longo da cadeia que garanta atratividade para novos investimentos na 1º, 2º e também na 3º geração, assegurar que o setor seja capaz de garantir de maneira sistemática um ambiente propício para a contínua inovação e desenvolvimento tecnológico de nossos produtos.

Chegamos hoje até este ponto sendo a 9º produtora de Resina mundial com muito esforço, mas o momento ainda é de grande incerteza: Vamos entrar em um novo ciclo onde os principais investimentos surgem onde o petróleo é abundante e o gás era queimado praticamente sem valor comercial a tranformação emerge da China e paises vizinhos que se intitularam como o motor da tranformação mundial.

Temos que mudar e nos adaptar a esta nova situação para nos manter competitivos. Conhecemos exemplos bem sucedidos de praticamente todos tipos de modelos, orientados para integração, especialização, vanguarda tecnológica, eficiência operacional, relação próxima dos clientes, mas sem dúvidas nos próximos anos o modelo de sucesso na indústria petroquímica vai ser muito diferente daqueles que conhecemos no passado. No Siresp temos vários sócios que de uma forma ou de outra passaram ou estão passando por um forte processo de reoganização visando se consolidar de forma competitiva neste cenário de muitas oportunidades, mas principalmente com muitas incertezas.
No cenário internacional se olharmos quem eram os principais Players há 15 anos atrás e compararmos com os de hoje concluiremos que mais de 50 % das empresas listadas são diferentes sendo vários deles aqui no Siresp que já algum tempo iniciaram este movimento:
- Solvay que com a BP fizeram uma reestruturação de seus ativos.
- Basell, que foi alienada há 2 anos pela Basf e Shell e reestruturada recentemente adiquiriu o controle da Lyondell por 12,1 bilhões de dólares, melhorando substancialmente sua competitividade no mercado americano e internacional. Produzindo PP e compostos no Cone Sul já estão estudando uma nova planta para produção de compostos.
- Braskem, que iniciou seu processo de consolidação em 2002, e em pouco tempo já com grande musculatura reforçou sua posição de maior produtora de Resinas na América Latina, tendo comprado com a Petrobras recentemente os ativos Petroquímicos da Ipiranga e figurando já entre os 15 maiores do mundo, e caminhando a passos largos para a internacionalização e logo estará produzindo resinas com matérias primas de fontes renovaveis.
- Dow Química, que recentemente também anunciou um ousado e inovador projeto com a Cristalserv, para a criação de uma empresa que poderá ser a 1º Alcooquímica integrada do mundo.
- Basf, que está em processo de reestruturação do negocios de Poliestireno e vários outros movimentos estruturantes em diversas regiões.
- Unigel – Reestruturando seus negócios no Brasil e com grande parte do seu faturamento hoje já vindo de investimentos no México.
- Unipar que adquiriu ativos da Dow no Brasil para a produção de Polietileno e a sua participação na Petroquimica União, caminhando de forma objetiva para ser o agente de consolidação da Petroquímica do Sudeste.
- E a Petrobras que, ao adquirir na última semana a Suzano Petroquímica, se firma de maneira inequívoca como um grande Player da Indústria de Resinas buscando construir com outros sócios conforme anunciado pela sua direção uma grande empresa baseada em ativos localizados na região Sudeste e investindo cerca de 8,5 bilhões de dólares para a construção do Complexo Petroquimico do Rio de Janeiro que será a nova fronteira para produção de Resinas no Brasil prevista para os próximos anos.

Todos estes movimentos não serão suficientes, precisamos olhar o setor como um todo em cada elo da indústria de Plásticos. Tenho certeza que o objetivo maior de nossos associados é o de fortalecer o conceito de cadeia produtiva, sendo grandes, mas preservando a concorrência entre as empresas, buscando sempre a melhor opção de preço e produto em beneficio do consumidor final, valorizar a imagem do plástico e ampliar os negócios do setor no país e fora, contando com empresas cada vez mais fortes e competitivas.

Coclamo a todos: iniciativa privada que atuam no nosso setor e o Governo para participarem ativamente nos trabalhos que estamos fazendo com ABDI – Agencia Brasileira de Desenvolvimento Industrial e outros parceiros que teve sua origem aqui na Fiesp, na contrução do trabalho de identificar os principais gargalos da nossa cadeia produtiva, e buscar soluções conjuntas em busca de competitividade internacional.

Embora um pouco esquecida é uma característica muito conhecida de nós que trabalhamos na indústria do plástico sermos otimistas. Lutamos muito e conseguimos em muito pouco tempo oferecer este produto tão importante para o bem estar das pessoas e o desenvolvimento do País.

O momento é o de identificarmos os objetivos comuns de nossa cadeia produtiva, alinharmos as nossas prioridades, não perdendo o foco no principal, e principalmente não esquecermos que deveremos caminhar juntos. Dessa forma, acreditamos que o setor alcançará o desenvolvimento pretendido.

Para nós empresários caminhar juntos não significa que desconhecemos as nossas diferenças, e sim a possibilidade de potencializarmos os pontos em que podemos nos complementar em busca dos objetivos traçados para o setor.


Como presidente do Siresp e contando com o apoio dos colegas de diretoria e empresas associadas, vou trabalhar com muita determinação para atender a expectativa de fortalecer a nossa cadeia de produção do Plástico e darmos a nossa contribuição para o fortalecimento do setor produtivo brasileiro.

Eu queria dizer ao presidente reeleito da Fiesp, Paulo Skaf, que contamos com a sua inquestionável capacidade de liderança para o fortalecimento da indústria. Tenho certeza que você continuará engrandecendo esta casa. E como sempre, pode contar com nosso apoio.

Cumprimento especialmente meus colegas diretores eleitos, e a todos os amigos presentes na posse da nossa nova diretoria do SIRESP! Muito obrigado a todos

José Ricardo Roriz Coelho
Presidente do Siresp