Petrobrás leva a Suzano por R$ 2,7 bi
04/08/2007


A Petrobrás surpreendeu o mercado e anunciou ontem à tarde a aquisição da Suzano Petroquímica, maior produtora da resina de polipropileno do País e dona de participações em centrais petroquímicas no Sudeste. O negócio saiu por R$ 2,7 bilhões, sendo R$ 2,1 bilhões para os sócios controladores da empresa e R$ 600 milhões para os acionistas minoritários. O preço surpreendeu o mercado e até executivos da Suzano.

A Petrobrás fez uma oferta de R$ 13,40 por ação ordinária (ON) e de R$ 10,70 por ação preferencial (PN). As ações preferenciais, as únicas negociadas na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), valiam R$ 5,74 às 12h15 de ontem. Nesse horário, a pedido da Suzano, os papéis tiveram a negociação suspensa na Bolsa. A empresa é controlada pelo Grupo Suzano, que também tem ativos em papel e celulose.

Durante quase todo o dia, o mercado não pôde negociar os papéis. As ações voltaram a circular na Bolsa às 16h25 e dispararam imediatamente. Fecharam com alta de 56,32% e atingiram o valor de R$ 8,91, em cerca de uma hora de negociações. As ações PN da Suzano Petroquímica possuem a garantia de receber uma oferta por 80% do preço pago aos controladores, o chamado tag along.

Esse é o segundo maior negócio do setor petroquímico fechado neste ano. O primeiro ocorreu em março. Petrobrás, Braskem e Ultra formaram um consórcio para adquirir o Grupo Ipiranga por US$ 4 bilhões. Petrobrás e Braskem dividiram, na proporção de 40% e 60%, os ativos petroquímicos do Grupo Ipiranga.

REESTATIZAÇÃO

A estratégia da Petrobrás com a compra do Ipiranga era ser um um sócio “minoritário relevante”. A compra de ontem muda essa estratégia. A estatal ganha força no setor petroquímico. “Ao comprar a Suzano Petroquímica sozinha, a companhia indica uma mudança de postura na volta do estado no setor petroquímico”, diz Luiz Otávio Broad, analista da Ágora Corretora.

O presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, recusou o termo “reestatização do setor” e disse que a compra viabilizará uma associação com empresas privadas. “Vamos buscar sócios privados, inclusive a Unipar.” Disse ainda que a Petrobrás “não necessariamente quer ser a empresa dominante” no negócio.

Para João Luiz Zuñeda, sócio da consultoria Maxiquim, a Petrobrás adota uma posição ainda mais forte no setor com essa “inesperada” compra da Suzano. “A estatal criou a petroquímica nacional, depois vendeu as participações no início dos anos 90 e agora volta para redesenhar tudo”, diz.

Ao fazer o negócio, a Petrobrás assume uma companhia em fase de recuperação e num estágio ainda tímido de integração. A Suzano Petroquímica tem capacidade para produzir 685 mil toneladas de polipropileno, um tipo de matéria-prima plástica. São três unidades produtoras: Rio de Janeiro, Mauá (SP) e Camaçari (BA).

Além dessas unidades de resinas, a Suzano Petroquímica detém três participações em empresas. A primeira é a fatia de 20% na Petroflex, fabricante de borracha sintética, que está em fase final de venda. Além da Suzano, a Petroflex tem como controladores também a Braskem e a Unipar.

Mas, para a Petrobrás, os negócios mais relevantes são as participações da Suzano nas duas centrais petroquímicas do Sudeste, a Riopol, no Rio de Janeiro, e a Petroquímica União, em São Paulo. Depois que participou da compra da Ipiranga Petroquímica junto com a Braskem, a Petrobrás anunciou que o próximo passo seria promover a integração do pólo petroquímico do Sudeste.

Nas centrais petroquímicas, começa a cadeia do plástico. Das centrais saem as matérias-primas, como eteno e propeno, que são convertidas em resinas, usadas na produção de peças de plásticos para carros, eletrodomésticos ou, ainda, copos plásticos e brinquedos.

Sem a Suzano Petroquímica, a integração das centrais do Sudeste fica facilitada. A expectativa é que a Unipar, dona de uma participação na Riopol e na PQU, tenha um papel relevante nessa integração, assim como a Braskem teve na integração do pólo do Sul após a compra da Ipiranga.

“Para a Suzano, não havia alternativa. Para suportar os ciclos de baixa da petroquímica, é preciso ser uma companhia integrada. A Suzano ficou pequena para isso”, explica uma fonte.