Ecologia chega aos utensílios domésticos
30/07/2007

A Coza Utilidades Plásticas, empresa de Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, investe em produtos ecologicamente corretos para utensílios domésticos. A Coza aposta na linha de produtos provenientes de fontes renováveis. A linha Coza Bios, composta por itens de mesa, decoração e banho, mescla elementos orgânicos ao plástico.

As peças são produzidas com a adição do arbofil - um biopolímero alemão que aproveita a substância orgânica lignina descartada na produção de celulose - mais fibras naturais como linho, cânhamo e sisal, injetadas no polipropileno.

A mistura inusitada confere às peças aparência e aroma de madeira com a qualidade e resistência do plástico, além de possibilitar uma redução de 40% de polipropileno nas peças da coleção. O arbofil utilizado na produção é proveniente de madeiras certificadas e cultivadas de forma sustentável e que a Coza tem exclusividade de uso na América Latina.

Segundo Cristina Zatti, diretora de desenvolvimento de produtos da empresa, as peças foram muito bem aceitas pelo consumidor, cada vez mais consciente da preservação ambiental. "Desde o lançamento, há um ano, as vendas cresceram 50%", comemora a diretora, que afirma que toda a sucata de polipropileno é reutilizada na própria produção.

Um outro fator destacado por Cristina Zatti é a coloração dos produtos da linha Coza Bios. "Todas as nossas peças apresentam coloração semelhante à madeira, pois não utilizamos pigmentos, o que torna o material ainda mais ecológico", observa.
Os produtos da linha oferecidos pela empresa são, em média, 30% mais caros que seus similares de plástico convencional, mas isto não assusta os consumidores. "O apelo ecológico é importante e as pessoas não se importam em pagar um pouco mais por este tipo de produto", comenta Cristina.

A diretora acredita ainda que a busca por produtos ecologicamente corretos deva ser um recorrente cada vez maior por parte dos consumidores. Além de atender a todo o território nacional, a empresa também exporta seus produtos para o México, Venezuela, Colômbia, Peru, Argentina, Uruguai, Paraguai e África do Sul e, recentemente, iniciou operações comerciais com países da Europa.

A diferença de preço dos produtos se dá por conta das tecnologias utilizadas no processo de produção do plástico. Para chegar a este composto foi preciso muita pesquisa. Ainda de acordo com Cristina, a principal matéria-prima utilizada na elaboração desse material, a lignina, era originalmente jogada no lixo. "As empresas retiravam a celulose da madeira e descartavam a lignina, o que provocava um grande acúmulo de lixo na Europa. Através de estudos, descobriram que esta substância poderia ser adicionada ao polipropileno, produzindo um plástico ecologicamente correto, elaborado com propriedades recicláveis", conta a diretora. A lignina é a segunda substância mais abundante no tronco da árvore.Por apresentar 60% de polipropileno em sua composição, o produto contém as mesmas características do plástico comum. A única diferença é que, como qualquer outro material que leva madeira em sua composição, ele não pode ir ao microondas. Também por conter madeira em sua fórmula, os objetos Coza Bio são mais pesados que seus similares.

A empresa responsável pela fabricação do material usado pela Coza Utilidades Plásticas é a Tecnaro, de origem alemã. O nome da empresa é sinônimo em alemão das aplicações tecnológicas do processamento industrial do plástico proveniente de fontes renováveis. A sede da companhia está localizada na cidade de Eisenach, na região da Turíngia. O arbofil é apenas um item da linha de produtos apresentados pela empresa - que tem entre seus clientes a montadora de carros Mercedes-Benz -, todos eles provenientes de fonte renovável.

A decomposição dos produtos é a mesma da madeira natural: por deterioração ou incineração. A quantidade de CO2 poluente emitido no processo não é maior do que o absorvido da atmosfera pelas plantas enquanto crescem.
(Fonte: Gazeta Mercantil)