Disposição para investir e crescer
30/07/2007

Com um crescimento anual superior ao
Produto Interno Bruto (PIB), em torno de 13%, e disposição para investir e crescer ainda mais, o setor de reciclagem de resinas plásticas tem apresentado resultados invejáveis. O volume de plásticos reciclados no ano passado ficou 14% acima ao do ano anterior, somando cerca de 520 mil toneladas de plásticos pós-consumo, ou seja, produtos que já foram utilizados e descartados.

O faturamento do setor subiu de R$ 1,23 bilhão em 2003 - quando foi feita a primeira pesquisa nessa área - para R$ 1,62 bilhão em 2005, segundo levantamento feito pela Plastivida - Instituto Sócio-Ambiental dos Plásticos. "É um negócio rentável, que tem atraído novos interessados a cada ano", diz Francisco de Assis Esmeraldo, presidente da diretoria executiva da Plastivida.

O lixo plástico teve uma valorização de 21% nesse período, com o preço médio de venda saltando de R$ 1,75 mil para R$ 2,11 mil por tonelada de produto já reciclado.

Com resultados tão positivos, a indústria de reciclagem de resinas plásticas enfrenta um problema crucial: a falta de matéria-prima. "Temos uma capacidade ociosa em torno de 40% porque falta coleta seletiva adequada", diz Francisco Esmeraldo.

"Fica a pergunta: onde estão as garrafas?", indaga Alfredo Sette, presidente da Associação Brasileira da Indústria do PET (Abipet), referindo-se à falta de garrafas feitas com PET (Poli Tereftalato de Etileno) utilizadas para embalar refrigerantes, água e outros produtos. Para ele, a falta de matéria-prima é o principal problema encontrado hoje no setor e só poderá ser melhorado com o aprimoramento do sistema de coleta envolvendo as prefeituras e com a conscientização da população para selecionar adequadamente seu lixo. A reciclagem do PET chega a 48%, o que representa em torno de 190 mil toneladas de plásticos reaproveitados. "Existem 500 mil brasileiros dedicados a essa tarefa. É um exército", diz Sette, lembrando que o setor proporciona o sustento de muitos catadores de rua que em alguns casos já se formaram cooperativas.

Como em todo mercado em que a demanda é maior que a oferta, o preço do PET jogado fora subiu. De acordo com José Trevisan Júnior, vice-presidente da Unnafibras Têxtil Ltda., empresa sediada em Santo André, no ABC paulista, que produz fibras a partir de material reciclado, a tonelada da garrafa prensada era comprada por R$ 650 no primeiro semestre de 2006 e aumentou para R$ 1 mil no mesmo período deste ano.

A Unnafibras produz 30 mil toneladas/ano de fibras a partir do PET reciclado e vende sua produção principalmente para os mercados têxtil, de revestimentos automobilísticos, enchimento e não-tecidos, além de exportar parte das fibras para Itália, Espanha e Argentina.

O processamento do PET utilizado pela Unnafibras é feito em duas outras empresas do grupo: a Repet Reciclagem de Termoplásticos Ltda., em Mauá, na Grande São Paulo, e a Repet Reciclagem do Nordeste, em João Pessoa (PB).

As duas unidades da empresa compram em torno de 3,1 mil toneladas de garrafas prensadas por mês para uma produção mensal que atinge 2,5 mil toneladas de granulado ou flocos de plástico. Para este ano, a previsão é que o faturamento de todo o grupo permaneça no mesmo patamar de 2006, ou seja, em torno de R$ 95 milhões.

O Brasil está entre os maiores recicladores de lixo plástico do mundo. Cerca de 20% de todo material plástico pós-consumo é reciclado no País. Na Alemanha, o índice de reciclagem é de 31% e na Áustria, de 29%. Nesses países, os índices são maiores porque, na opinião de Esmeraldo, as populações são mais conscientes da importância da coleta seletiva e da reciclagem para reduzir os impactos ambientais.

O índice de reciclagem do PVC (Poli Cloreto de Vinila) no País está em 16,5% , bem abaixo dos 48% de reaproveitamento do PET, porque a análise do PVC é diferente da dos demais plásticos, conforme explica Miguel Bahiense, diretor-executivo do Instituto do PVC. Isto porque 64% dos produtos fabricados em PVC são feitos para durar mais de 20 anos - caso dos materiais utilizados na construção civil - e apenas 12% dos produtos em PVC são considerados descartáveis, com durabilidade máxima de dois anos, como, por exemplo,° os frascos de xampu e as embalagens de alimentos. O preço do PVC descartado prensado está em torno de R$ 750. (Fonte: Gazeta Mercantil)