Novos horizontes para o setor
30/07/2007

A petroquímica do País desenvolve produtos e adota ações de sustentabilidade. O ano de 2007 é um marco na história da petroquímica brasileira. Depois de várias décadas, o setor - até então um emaranhado de empresas investidoras - passou para as mãos de algumas corporações totalmente operacionais e voltadas para a pesquisa e desenvolvimento, como Braskem, Suzano, Unipar, grupo Ultra, Petroquisa, entre outras. Elas possuem passivos controlados, proteção contra variações do câmbio, desenvolvem novos produtos e pensam na produção sustentável em meio à crise energética brasileira. De três anos para cá, a Suzano se reestruturou totalmente com a ajuda do Banco Mundial e a Braskem se associou com a Petrobras para produzir o plástico que mais cresce em consumo no mundo, o polipropileno.
O resultado é que um setor mais maduro e competitivo atraiu também para si os desafios da concorrência com a grande petroquímica mundial. Agora enxuta, a petroquímica brasileira enfrenta as multinacionais que se instalam no Oriente Médio para abastecer a Ásia de resinas plásticas (base dos sintéticos). E precisam enfrentar a invasão de produtos prontos de plástico que chegam no País vindos da China.

Nesse cenário, a indústria brasileira começa a investir em uma parte da cadeia petroquímica até então totalmente desassistida e frágil: a de transformadores de resinas em produtos plástico acabados. A cha-mada terceira geração petroquímica. Nos primeiros meses do ano surgem as primeiras iniciativas de investimento privado para fomentar o setor. Ele pode fazer com que o Brasil venda plástico acabado em vez de apenas commodities.

Arranjos Produtivos Suzano Petroquímica, junto com a Corporação Financeira Internacional (IFC) - braço privado do Banco Mundial -, Sebrae e poderes públicos locais anuncia investimento de R$ 4 milhões em um Arranjo Produtivo Local (APL) para fomentar a transformação do antigo pólo de montadoras de veículos do ABC paulista no pólo de transformação do plástico. "Faremos o ABC do plástico e ocuparemos o espaço deixado pela indústria automobilística naquela região", disse o co-presidente da Suzano, José Ricardo Roriz Coelho. A Braskem anuncia a captação de R$ 35 milhões e a migração de três grandes transformadoras de outros estados para seu pólo de PVC em Alagoas, também no formato de um APL.

É bom lembrar que a China é extremamente forte no setor de transformação de plásticos e possui preços baixos porque produz muito e tem matéria-prima próxima, no Oriente Médio. Também é preciso ter em mente que quem só exporta commodities fatalmente compra produtos acabados, inchando seu déficit comercial.

Matéria-prima
Para enfrentar este impasse, as brasileiras buscam as grandes reservas de matéria-prima (petróleo e gás natural) na América do Sul para fazer frente ao Oriente Médio e começar a competir globalmente. A Braskem busca o petróleo da Venezuela e o gás boliviano, em negociações po-liticamente difíceis porém financeiramente vantajosas.

A Suzano Petroquímica investiu na produção de plásticos a partir de gás natural, hoje abundante na bacia de Campos, e também em gases de refinaria da Petrobras.

No meio das mudanças, a estatal Petrobras, única fornecedora de nafta do País - principal matéria-prima da cadeia - decidiu entrar forte no negócio de plásticos e, após associar-se à Braskem, deve anunciar novas parcerias com petroquímica no Sudeste do País.

Em meio a isso há um outro desafio histórico para a petroquímica não só brasileira mas mundial: o barril de petróleo a US$ 70 elevou o preço da nafta. O produto vendido pela Petrobras subiu de US$ 300 por tonelada de anos atrás para mais de US$ 600. Este valor praticamente inviabiliza as margens das fabricantes de resinas plásticas. Para solucionar o problema, as petroquímicas brasileiras passaram a correr atrás de importações com preços menores e a pesquisar antigos projetos de se produzir plástico a partir de fontes renováveis.

Plástico do álcool

O fato de o Brasil ser maior produtor de álcool do mundo não passou despercebido. A maior petroquímica do País, a Braskem, e também a maior do mundo, a Dow Chemical, desenvolveram tecnologia para obter plástico de álcool a um custo muito competitivo e anunciaram, nos últimos dois meses, que terão uma capacidade de produção que ultrapassa 900 mil toneladas de resinas de polietileno até o final da próxima década.

E isso ocorre em um ano no qual o
Produto Interno Bruto Brasileiro poderá crescer de fato acima de 4,5%, iniciando uma época de alta no consumo varejista. Este último tem a petroquímica como grande termômetro de crescimento, já que entre os principais produtos da indústria de sintéticos no Brasil estão as embalagens de alimentos, bebidas, auto-peças de plástico, tintas e outros sintéticos de consumo.

Além disso, há o fato de que a indústria brasileira é exportadora e teve forte pressão em suas margens com a valorização do real frente ao dólar e ao euro. Aí também as petroquímica tiveram, nos últimos dois anos, que adaptar suas contas, seu lastro de exportações e suas captações no exterior de forma a se protegerem e conviverem pacificamente com a moeda nacional valorizada. "O real forte não é ideal, mas não é o que nos fará desistir de nenhuma estratégia de crescimento", disse o presidente da Braskem, José Carlos Grubisich. (Fonte: Gazeta Mercantil)