Petroquímicas terão R$ 7,5 bi do BNDES
23/07/2007

A indústria petroquímica brasileira – e dentro do setor, o Pólo do Grande ABC – tem importância estratégica para o crescimento econômico do País.

A avaliação é feita pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e justifica o apoio previsto de R$ 7,5 bilhões em financiamentos do banco entre 2007 e 2010 para a atividade.

O valor é significativo pelo número em si e por representar 42,6% do total (R$ 17,6 bilhões) que deverá ser investido no período pelas empresas do segmento (ligadas em boa parte à produção de resinas para a fabricação de embalagens e itens de plástico).

Além disso, significa um aumento médio de 33,5% em relação ao liberado – R$ 2,4 bilhões para o setor – pela instituição no quadriênio anterior.

Entre as empresas que contam com o financiamento do banco está a PQU (Petroquímica União), que obteve aprovação para crédito de quase 50% do R$ 1,1 bilhão que vai investir na expansão da fábrica em Santo André. O investimento será concluído em 2008.

A PQU é uma das quatro centrais produtora de matérias-primas petroquímicas básicas existentes hoje no Brasil. As outras são a fábrica da Braskem em Camaçari (BA), a Copesul, em Triunfo (RS) e a Rio Polímeros, em Duque de Caxias (RJ).

As matérias-primas básicas (como o eteno e o propeno) destinam-se à produção de resinas plásticas, as quais servem para fabricação de embalagens e peças de plástico.

JUSTIFICATIVAS
“Esse é um setor intrincado na economia, que serve a uma série de outros segmentos, como a indústria de alimentos, eletrônicos, brinquedos, autopeças, entre muitos outros”, afirmou o chefe do departamento de Indústria Química do BNDES, Gabriel Gomes.

Outra justificativa para o apoio é o fato de o setor representar 3,5% do PIB (Produto Interno Bruto) – que é a soma das riquezas produzidas no País – e 15% do recolhimento de tributos de toda a indústria nacional.

O presidente do Siresp (Sindicato das Indústrias de Resinas Plásticas), José Ricardo Roriz, destaca a importância desse apoio, para que não haja falta do insumo para atender às diversas atividades econômicas.

O uso de resinas plásticas pelos outros elos do setor produtivo costuma crescer duas vezes mais do que o ritmo de expansão da economia. O BNDES calcula que o PIB do País crescerá de 4% a 5% ao ano até 2010. Com isso, haveria a necessidade de aumento de capacidade instalada das fábricas para suprir a demanda.
Instituição participa também como acionista no setor

Do Diário do Grande ABC

O BNDES apóia o segmento não apenas como financiador dos projetos de expansão, mas também como acionista em grandes empresas petroquímicas, entre elas a Rio Polímeros, que é pertencente à Suzano Petroquímica, à Unipar e ao BNDESPar (braço de participações do banco do governo).

Segundo o consultor Otávio de Carvalho, diretor da empresa especializada Maxiquim, os créditos de longo prazo a juros reduzidos (Taxa de Juros de Longo Prazo mais uma taxa de remuneração) é um diferencial que tem permitido o fortalecimento da atividade no País.“Os empresários brasileiros podem contar com um instrumento como esse, que na Argentina não existe, de suporte a grandes e médios investimentos e até aos pequenos”, afirmou o consultor.

CONSOLIDAÇÃOCarvalho destaca ainda a importância de o banco oferecer apoio para que o segmento nacional se fortaleça, para competir em escala mundial. Uma das formas de ganhar escala é por meio da integração de ativos. Foi o que ocorreu recentemente com com a compra da Copesul pela Braskem –, que consolidou em único comando as operações das centrais petroquímicas do Sul e do Nordeste.

Depois da movimentação da Braskem, a Unipar, controladora majoritária da Petroquímica União, ampliou sua participação na PQU e negocia para integrar, em uma única empresa, as operações das indústrias localizadas no Pólo de Capuava, no Grande ABC.

Para o chefe do departamento de Indústria Química do BNDES, Gabriel Gomes, a consolidação é bem-vinda. “As empresas podem acessar melhor o mercado de capitais e ter acesso a novas tecnologias”, avalia. O consultor da Maxiquim concorda e vai além. “Com isso, os grupos podem crescer fora do País e passar a competir globalmente”, disse.