Basell compra a Lyondell e pode disputar ativos da Basf
18/07/2007

O magnata indiano Lakshmi Mittal - dono da Arcelor Mittal - faz história na indústria siderúrgica. Agora, um novo bilionário tenta seguir uma trilha igual na indústria química.

O russo naturalizado americano Len Blavatnik, por meio da Basell, fechou ontem a compra da Lyondell dos Estados Unidos por US$ 12,6 bilhões em dinheiro. O negócio vai criar uma das maiores operações químicas independentes do mundo, com vendas anuais de US$ 34 bilhões.

As operações envolvem produtos como polipropileno e polietileno, além de fornecer à Basell uma grande refinaria petroquímica nos Estados Unidos.

O apetite por fechar um negócio na área química mostrou o caráter incansável de Blavatnik. Antes da compra da Lyondell, suas ofertas pela Huntsman, dos EUA, na semana passada, e da divisão de plásticos da General Electric, em março, foram superadas.

Segundo fontes, Blavatnik também é apontado como um dos candidatos para adquirir as atividades de estireno da alemã Basf, que anunciou ontem sua intenção de desfazer-se do negócio. Nascido em 1957, Leonid Valentinovich Blavatnik emigrou da Rússia para os EUA em 1978. Sua fortuna nasceu com contratos de petróleo em seu país de origem após a queda do comunismo. Ele comprou por US$ 5,7 bilhões a Basell, então uma joint-venture entre Basf e Shell, em maio de 2005 por meio de sua holding Access. Sua riqueza é estimada em US$ 7 bilhões, segundo a revista "Forbes".

A compra da Lyondell é uma resposta à altura depois da perda da Huntsman e da GE Plastics. O esforço da Basell, com sede na Holanda, é procurar sinergias em seus negócios, que se concentram em grande parte nos produtos químicos que são commodities, para o setor de refino, onde as margens são altas.

Analistas há muito tempo viam os dois grupos como complementares, com a força da Lyondell concentrada nos EUA e ela podendo fornecer muitas das matérias-primas para as operações da Basell, concentradas na Europa. Os dois grupos também possuem operações de tamanhos consideráveis na Ásia.

A Basell adquiriu uma pequena participação na Lyondell, cuja sede fica em Houston, junto com a opção de aumentar a fatia para 8,3%, via aquisição das ações remanescentes da Occidental, o grupo petrolífero dos Estados Unidos.

A Access está oferecendo US$ 48 por ação da Lyondell num negócio que a avalia a um ágio de 20% sobre o preço de fechamento da ação na segunda-feira, e 48% acima do nível de maio, quando a Basell revelou seu interesse pela Lyondell pela primeira vez.

A Basell já teve uma presença mais destacada no mercado brasileiro. Optou por sair da fabricação de resinas termoplásticas para fortalecer sua posição na de especialidades, os compostos de polipropileno, usado pela indústria automobilística.

Em 2005, a Basell vendeu por US$ 240 milhões os 50% que detinha na Polibrasil, maior fabricante de polipropileno do país, à Suzano Petroquímica. Atualmente, a empresa detém uma fábrica de compostos em Pindamonhangaba, no interior de São Paulo, com capacidade de produzir 50 mil toneladas por ano. A unidade pode dobrar de tamanho se receber novos investimentos. A Lyondell só possui um escritório comercial no país.