Pólo petroquímico do Sudeste ganha impulso
12/07/2007

O pólo petroquímico do Sudeste ganha impulso e começa a criar forma, com a evolução do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), principal responsável pela formação do pólo, e mudanças na PQU, em São Paulo, começa a tomar forma, a despeito das lacunas em sua estrutura societária.

Para João Luiz Zuñeda, diretor da Maxiquim (consultoria especializada na análise do mercado petroquímico), esse novo pólo representa um novo ciclo para a petroquímica, depois do anúncio da compra do Grupo Ipiranga, em março, definiu a situação do pólo do Sul.

O Comperj é o principal responsável por essa situação e dá mostras de estar se concretizando. A empresa de engenharia carioca Concremat, que ganhou a licitação para a execução de dois dos oito relatórios ambientais necessários para a construção da unidade, prevê entregar os documentos à Petrobras até o fim de agosto. A estatal, por sua vez, planeja obter a licença prévia até o fim do ano para iniciar as obras no primeiro semestre de 2008. O Comperj é o maior investimento individual da companhia, orçado em US$ 8,3 bilhões.

Para a planta industrial

Os dois relatórios ambientais a cargo da Concremat são o da planta industrial do Comperj, que será erguida no Município de Itaboraí (RJ), e o da estrada de acesso à unidade, que a conectará à BR-493. A estrada visa desafogar o tráfego local, já intenso na região. Juntos, os dois relatórios somam contratos de R$ 1,2 milhão, segundo o líder operacional de saneamento, recursos hídricos e meio ambiente da Concremat, Alexandre Costa. É o maior projeto na área ambiental em andamento na empresa.

"Os relatórios estão próximos da finalização. Estamos apenas fazendo algumas adequações requeridas pela Feema", disse Costa. O órgão ambiental estadual do Rio de Janeiro publicou uma instrução técnica referente ao Comperj em março deste ano. Até então, os trabalhos estavam sendo conduzidos com base em consultorias e na experiência da estatal. Todas as outras licenças ainda serão licitadas, de acordo com a Petrobras. Estas se referem às unidade periféricas, como abastecimento de água, emissário submarino, dutos de matérias-primas, ferrovias e linhas de transmissão de energia.

Ainda na área socioambiental, a Petrobras prevê iniciar, este mês, oficinas com o objetivo de elaborar os Planos Locais de Desenvolvimento Sustentável (PLDS), que vão reunir ações para cada um dos 11 municípios impactados pelo projeto. Esses planos serão concluídos até novembro de 2007 e a publicação do documento final consolidado de todos os municípios está prevista para julho de 2008. As discussões serão baseadas nas visitas feitas pela equipe do Comperj às 11 cidades, quando foram debatidas ações da Agenda 21 - compromissos e metas ambientais - de cada município.

À caça de funcionários

Paralelamente, a Petrobras está recrutando mão-de-obra para cursos de qualificação. No próximo dia 29 de julho, mais de 18 mil inscritos farão a prova para integrar as turmas. As aulas, gratuitas, serão ministradas nos centros de integração dos 11 municípios. São 3 mil as vagas na primeira fase. A idéia é capacitar 30 mil pessoas em cerca de 60 atividades profissionais ao longo dos próximos anos.

A Petrobras elegeu o Comperj uma de suas prioridades, em primeiro lugar, porque a unidade fará uso de tecnologia nova, capaz de transformar óleo pesado, abundante no Brasil, em produtos petroquímicos. Consiste, assim, em um processo alternativo ao que usa como base a nafta, escassa no País, e uma forma de adicionar valor ao óleo. Em segundo lugar porque a demanda de produtos petroquímicos tende a crescer. O Comperj vai processar 150 mil barris de óleo pesado e produzir produtos de primeira e segunda geração, como propeno, benzeno e paxileno.

Até agora, a dificuldade tem sido na formatação societária. Dois sócios já estão certos, o grupo Ultra - do qual partiu a idéia do projeto - e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Unipar e Suzano já manifestaram publicamente seu interesse no empreendimento, mas há divergências quanto à extensão da sociedade. Desde o ano passado, o presidente da Petroquisa, José Lima de Andrade, vem trabalhando na tentativa de convencer as empresas a participar da unidade de forma integrada, na primeira e segunda gerações petroquímicas. (Fonte: DCI)