Sudeste pode repetir o modelo da Braskem
28/06/2007

A Petrobras admite que a reestruturação do setor no Sudeste para a criação de uma grande empresa possa ter configuração semelhante à que está sendo dada à Braskem, líder dos pólos petroquímicos do Nordeste e do Sul. A Petrobras passará a ter uma participação de 40% após completada a compra da Ipiranga Petroquímica.

O diretor de Abastecimento e responsável pela área petroquímica da Petrobras, Paulo Roberto Costa, comemorou a compra pela Unipar dos ativos petroquímicos da Dow. "Está dentro do conceito de uma empresa forte no Sudeste", disse, ressaltando que a formação dessa empresa depende de entendimento entre Unipar e Suzano.

A Unipar detém agora 79% das ações de controle da PQU e todas as unidades de polietileno de São Paulo, além de possuir 33,33% da Rio Polímeros (Riopol), que produz até 540 mil toneladas de polietileno por ano. A Suzano, dona de 33,33% da Riopol, é a principal fabricante de polipropileno (que divide com o polietileno a condição de resina termoplástica de mais ampla aplicação) do país, com fábricas no Sudeste e Nordeste.

"É preciso fazer no Sudeste alguma coisa como foi feito no Sul", afirma Costa, referindo-se à recente reestruturação do pólo de Triunfo (RS) a partir da compra da Ipiranga. A estatal participa com Unipar, Suzano e BNDES do controle da Riopol. Os dois sócios estatais detêm, em partes iguais, os outros 33,33% do capital da empresa gasquímica, mas já é ponto pacífico que a Petrobras comprará oportunamente a fatia do banco. O modelo da Riopol, que se remete à gênese da moderna petroquímica brasileira, com as unidades da segunda geração do pólo de Camaçari (BA) divididas entre Petrobras, uma empresa privada nacional e uma estrangeira, já foi cogitado como uma alternativa para formar a nova empresa do Sudeste.

A formação dessa empresa, na avaliação de Costa, "será um passo enorme" para a definição do Comperj, o complexo petroquímico do Rio. Costa já disse que deseja resolver a engenharia societária do complexo paralelamente à formação dessa nova empresa. A Petrobras quer ser majoritária e entrar com algo como 40% na segunda geração, que produzirá resinas petroquímicas. Além da Petrobras, só o Ultra e o BNDES estão no grupo original do Comperj.

Quem não concorda com esse desenho regional é a Braskem. Em entrevista anterior ao negócio entre Unipar e Dow, José Carlos Grubisich, presidente da empresa baiana, disse que a lógica regional da reestruturação é decorrente da forma como foi formada a petroquímica no país. Embora entenda que alguém precisa liderar a reestruturação no Sudeste. Mas Grubisich considera que a petroquímica é hoje um negócio global e sem lógica regional. Tanto que, além de construir uma unidade de polipropileno em Paulínia (SP), não descarta participar do Comperj. (Fonte: Valor Econômico)